sexta-feira, 28 de outubro de 2011

História do Dia - "O Peso do Dever"

O Peso do Dever

 
Era uma vez um cavaleiro, desses que havia dantes, de lata por fora, fechados por dentro, e de comprida lança levantada, com uma bandeira na ponta, a flutuar ao vento? Estão a ver, não estão?
O cavalo que suportava este cavaleiro não tinha grande vocação para cavalarias altas.
?Se o meu dono dispensasse a armadura, até o caminho passava a ser mais macio."
Conversa de cavalo cansado?
Talvez o tivesse percebido o cavaleiro, porque à beira de um regato susteve a marcha do cavalicoque e apeou-se. Apetecia-lhe tomar um banho. Desfez-se da pesada armadura, enquanto o cavalo pastava, e foi procurar um sítio mais fundo, onde pudesse banhar-se a seu gosto.
?Quem me dera que a história se ficasse por aqui", suspirava o cavalo, aliviado.
Uns meliantes, salteadores de estrada, que por ali estavam escondidos, viram o cavaleiro afastar-se e acharam que era boa altura para agir. Cobiçaram a armadura e cobiçaram o cavalo. Este, adivinhando-lhes as intenções, fugiu-lhes a tempo. Que levassem a armadura! Era da maneira que o resto da jornada menos custaria. Carregar um cavaleiro, sem a casca-carapaça de ferro e lata, valia por um passeio.
De longe, o cavalo viu os ladrões alcançarem as peças da armadura para cima de um macho desgraçado. Teve um rebate. O dono tão desprevenido e ninguém que o avisasse. Só se ele, cavalo, tomado a brios? Mas para quê, se o assunto não era da sua conta? Ou seria? Afinal, talvez fosse?
O cavalo relinchou um alarme. Logo o cavaleiro, que deixara a espada na margem, se apercebeu do perigo. Agarrou no espadão e, mesmo nu e a pingar, saltou para o cavalo e fez frente aos salteadores, que fugiram, mais o macho, largando tudo, numa grande balbúrdia de lata amolgada.
Revestido de novo da sua vaidosa armadura, o cavaleiro, fincando os joelhos de ferro nos lados da montada, incitou-a a prosseguir caminho. Carregado ao peso do dever, o cavalo obedeceu.

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quinta-feira, 27 de outubro de 2011

História do Dia - "O Automóvel Cansado"

O Automóvel Cansado

Era um automóvel que trabalhava todos os dias.
Acordava ou acordavam-no de manhã cedo e lá ia ele com o dono para o trabalho.
Ainda se o dono trabalhasse o tempo todo num escritório, vá que vá. O automóvel, nesse caso, até podia descansar uns bons bocados, encostado ao passeio.
Mas o dono era dos irrequietos. Passava o dia de um lado para o outro, pára, logo arranca, depressa que se faz tarde, num corrupio que fazia aflição. Há empregos assim, muito fatigantes, tanto para as pessoas como para os carros.
E aos fins-de-semana? Aos fins-de-semana, o dono do automóvel levava a família a passear.
Em resumo, o carro nunca descansava.
Um dia, cansado de tanto correr, protestou.
- Este motor não anda bom - disse o dono.
Protestou mais.
- Este motor está a pedir uma grande revisão - disse o dono.
De protesto em protesto, o automóvel resolveu fazer finca-pé. Parou, de vez.
- Temos de chamar um reboque e mandá-lo para a oficina - disse o dono.
Disse mais coisas, mas nós não contamos? Pudera. A meio do passeio de domingo, acontecer uma destas, quem é que não perde a paciência?
Tão exasperado ficou o dono que resolveu trocar de carro. Apetecia-lhe um automóvel mais novo, mais potente, de um modelo mais moderno.
O automóvel desta história foi arrecadado num armazém de automóveis velhos.
- Daqui só para a sucata - disse-lhe uma carrinha muito desgastada pelos anos de serviço a um colégio.
Agora tinha tempo para descansar. Descansou.
Mas as prolongadas férias acabaram por pesar-lhe.
Às vezes, aparecia alguém com vontade de comprar um carro barato, ainda em bom estado? Os automóveis alinhados aguardavam a decisão, com ansiedade.
- Qual é o preço deste? - perguntou uma senhora ao vendedor.
- Tanto - respondeu o vendedor.
- Só dou tanto - disse a senhora.
O comprador encolheu os ombros, em sinal de concordância. O automóvel desta história ganhava um novo dono, aliás dona, aliás Dona Henriqueta.
- É só para dar de vez em quando uns passeios, visitar os filhos, os netos - explicou a senhora. - Nada de velocidades nem de grandes viagens. Este carrinho dá-me jeito.
A Dona Henriqueta já está reformada. O automóvel ainda não. Teve sorte ou melhor, ambos tiveram sorte, porque o automóvel ainda dá muito boa conta do recado.
Está ali para as curvas.

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quarta-feira, 26 de outubro de 2011

História do Dia - "Os Zepeninos e Nós"

Os Zepeninos e Nós

O planeta Zepeni, escondido, algures, numa curva do Universo imenso, à esquerda de quem sobe, é muito pequenino.
Nenhum astrónomo da Terra ainda deu com ele, mas existe. Não é invenção minha.
Os habitantes de Zepeni estão muito desenvolvidos. Deslocam-se pelo espaço a velocidades incalculáveis, numa espécie de discos voadores do tamanho de rolhas de cortiça, porque os zepeninos, a condizer com o planeta onde vivem, não são de grande estatura. Talvez do tamanho de joaninhas ou pouco mais ou menos.
Todos usam uns fatos luminosos, que lhes permitem explorar os sítios mais obscuros. Os zepeninos são muito empreendedores e viajados.
Uma vez, nas suas viagens de exploração pelo Universo, tocaram a Terra. Foi numa destas noites de Verão.
O disco voador em que eles vinham aterrou à beira de um laguinho de jardim.
Com alguma prudência, três zepeninos desembarcaram.
- Este planeta não deve ser habitado - calculou um deles, perante o silêncio da noite.
Outro dos zepeninos acrescentou:
- Estamos no litoral de um enorme mar, que passará a chamar-se Mar da Tranquilidade.
Era o laguinho do jardim, já se vê.
Uma rã perto deu-lhe para coaxar.
- Cuidado! Afinal este planeta tem monstros.
Os três zepeninos puseram-se na defensiva e avisaram a nave para estar alerta.
Atraídos pelo brilho dos fatos dos zepeninos, aproximaram-se mosquitos.
- Estamos a ser atacados por aves terríveis.
Uns pirilampos, intrigados com aqueles bichinhos alarmados, sobrevoaram-nos, num voo lento.
- Além de ter monstros, o planeta sempre é habitado. São parecidos connosco, mas não comunicam na mesma onda de pensamento.
Fosse como fosse, os zepeninos tentaram explicar aos pirilampos donde vinham, quem eram e o interesse exclusivamente científico das suas viagens pelo Universo.
Depois, porque ao coaxar da primeira rã outras rãs responderam, a barulheira tornou-se insuportável. Muito sensatamente, os três zepeninos resolveram regressar à nave.
- Descolar! - ordenou o comandante do disco voador.
E o disco voador do tamanho de uma rolha de cortiça subiu ao céu.
Lá dentro, os três zepeninos exploradores completavam o relatório de viagem:
?Visitámos um planeta muito primitivo. Os seus habitantes principais possuem algumas semelhanças connosco, deslocam-se pelo ar, mas estão cientificamente muito atrasados. Ainda têm de sofrer muitas mutações antes de nos chegarem aos calcanhares."
Até talvez, no fundo, os zepeninos tenham alguma razão.

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terça-feira, 25 de outubro de 2011

História do Dia - "Lágrimas de Crocodilo"

Lágrimas de Crocodilo


 
O crocodilo estava com uma grande dor de dentes. Quem lhe acudia?
Dentista, na selva não há. Podia procurá-lo na cidade mais próxima, mas quem lhe garantia que, depois, o deixavam voltar ao rio do seu pachorrento viver?
Os gemidos do crocodilo metiam dó.
Um passarito saltitante aproximou-se, mas não muito, e perguntou-lhe:
- O dente que dói é incisivo, canino ou molar?
O crocodilo não sabia.
- É cá para trás, na queixada - respondeu ele.
- Então é molar e deve estar furado - concluiu o esperto passarinho.
Muito se admirou o crocodilo com a ciência do passarinho. E, numa voz de sofrimento, perguntou-lhe se ele não se importava de tratá-lo.
O passarinho saltitou, hesitante. Outros passarinhos da família, que andavam por perto, avisaram-no:
- Vê lá no que te metes. O crocodilo pode não ser de confiança?
Mas o passarinho, que tinha bom coração, decidiu arriscar.
- Abre bem a boca - disse ele ao crocodilo.
Saltitando entre os dentes do crocodilo, como sobre um teclado de piano, o passarinho deu com o dente furado. Era, realmente, um dos últimos, já no escuro da boca enorme do crocodilo.
Com muita eficiência, o passarinho brocou, limpou e tapou o buraco do dente magoado. Só lhe faltava diploma para dentista a sério.
- Abre mais a boca, para eu sair a voar.
Mais o crocodilo a fechava?
Cá fora, os outros passarinhos piaram de susto.
- Tratei-te. Quero sair - exigiu o passarinho e a vozinha dele ecoou na boca cavernosa do crocodilo.
- Palita-me e limpa-me o resto da dentadura - pediu o crocodilo, entre dentes.
Caiu-lhe uma lágrima do olho esquerdo e outra, a seguir, do direito.
- Lágrimas de crocodilo - piaram os passarinhos em bando. - Velhaco. Patife. Hipócrita.
Mas, afinal, estas eram as lágrimas sinceras. O crocodilo sentia-se aliviado e agradecido.
Quando o passarinho, depois de ter feito uma limpeza geral aos dentes do crocodilo, voou para o meio dos outros, foi recebido como um herói.
E, daí em diante, todos os passarinhos saltitantes da beira-rio passaram a frequentar as queixadas dos crocodilos, à cata de restos de comida.
Ganham os crocodilos e ganham os passarinhos. Ao contrário do que consta, na selva também há harmonia.


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segunda-feira, 24 de outubro de 2011

História do Dia - "A Ferradura"

A Ferradura



Era uma vez uma velha ferradura.
Um senhor encontrou-a, levantou-a do chão e meteu-a no bolso do sobretudo.
- É para dar sorte - disse o senhor de si para si, muito convencido do que dizia.
Quando chegou a casa e a mulher foi pendurar o sobretudo no cabide é que foram elas.
- Tens o sobretudo tão pesado, homem - intrigou-se ela.
O senhor explicou o porquê:
- É para dar sorte.
- Se dá sorte, não sei - repontou a ela. - O que sei é que o peso da ferradura rompeu o bolso do sobretudo. Tirá-la de dentro do forro vai ser o cabo dos trabalhos.
O senhor, pacientemente, recuperou a ferradura do sobretudo, que foi para coser, e pendurou-a num prego atrás da porta.
- É para dar sorte.
No dia seguinte, ia ele a entrar em casa com a mulher, e a porta não se abriu. Porque seria, porque não seria? Tiveram de entrar em casa, a muito custo, por uma janela.
A ferradura tinha caído e entalara-se em cunha na porta, impedindo-a de abrir-se.
- Estou a ver que a ferradura só dá trabalhos - comentou a mulher.
O senhor não ligou e foi meter a ferradura numa gaveta:
- É para dar sorte.
Passado tempo, a mulher veio mostrar-lhe umas camisas todas manchadas:
- Puseste a maldita da ferradura na gaveta, encheu-se de ferrugem e deu cabo destas camisas. As melhores que tinhas?
Então o senhor aborreceu-se. Estava desiludido com a ferradura que só o metera em trabalhos.
- Vou desfazer-me do raio da ferradura. Para dar sorte? - e atirou-a pela janela.
Por pouca sorte, a ferradura foi bater no capot de um automóvel que ia a passar. Pior seria se tivesse acertado em alguma cabeça. Mesmo assim amolgou o automóvel.
Veio o automobilista pedir explicações:
- Quem é a besta que anda a atirar os sapatos para o meio da rua?
O senhor, que achara a ferradura, teve de pedir muitas desculpas e pagar uma indemnização, para que o caso ficasse por ali. E para que a história acabasse aqui.



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sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Artista do mês de outubro - Amália Rodrigues


Biografia


Amália da Piedade Rodrigues nasceu em Lisboa, em julho de 1920.

Em 1929 cantou pela primeira vez em público numa festa da Escola Primária, que frequentava, na Tapada da Ajuda.

Trabalhou desde muito cedo, como bordadeira, operária e vendedora de laranjas e flores.

Aos 15 anos desfilou na marcha de Alcântara e cantou pela primeira vez acompanhada à guitarra.

Com 19 anos estreou-se na casa de fados Retiro da Severa, e, nesse mesmo ano, torna-se a principal atração da revista "Ora vai tu", no Teatro Maria Vitória, a primeira de uma série de participações no teatro de revista.

Em 1943 atua pela primeira vez no estrangeiro, em Madrid.

Em 1944, viaja para o Brasil para atuar no Casino Copacabana. O sucesso foi tal que, em vez das seis semanas previstas, Amália atuou durante três meses.

O primeiro disco de Amália Rodrigues, "Perseguição / As penas", foi gravado no Brasil em outubro de 1945.

Em 1947, aos 27 anos de idade, Amália estreia-se no cinema, no filme "Capas Negras", que bateu todos os recordes de exibição

Amália cantou em diversos locais do mundo, como Paris, Londres, Nova Iorque, Hollywood, ex-União Soviética, Japão, entre outros. Em 1950 atuou nos espetáculos do Plano Marshall pela Europa.

Em 1951 grava pela primeira vez em Portugal para a editora Melodia e aos 38 anos de idade estreia-se na RTP, no papel principal da peça "O Céu da Minha Rua".

Apesar da longa e notável carreira, apenas em 1985, com 65 anos de idade, Amália dá o primeiro grande concerto a solo no Coliseu dos Recreios, em Lisboa.

Em 1995 grava o último álbum, "Pela Primeira Vez", e em 1997 é editado "Segredo", um álbum de gravações inéditas.

A 6 de outubro de 1999, Amália morre na sua casa em Lisboa, recebendo honras de Estado por parte do governo e do povo português.




Uma semana, um fado...


Gaivota

Música: Alain Oulman
Letra: Alexandre O'Neill


Se uma gaivota viesse
trazer-me o céu de Lisboa
no desenho que fizesse,
nesse céu onde o olhar
é uma asa que não voa,
esmorece e cai no mar.

Que perfeito coração
no meu peito bateria,
meu amor na tua mão,
nessa mão onde cabia
perfeito o meu coração.

Se um português marinheiro,
dos sete mares andarilho,
fosse quem sabe o primeiro
a contar-me o que inventasse,
se um olhar de novo brilho
no meu olhar se enlaçasse.

Que perfeito coração
no meu peito bateria,
meu amor na tua mão,
nessa mão onde cabia
perfeito o meu coração.

Se ao dizer adeus à vida
as aves todas do céu,
me dessem na despedida
o teu olhar derradeiro,
esse olhar que era só teu,
amor que foste o primeiro.

Que perfeito coração
no meu peito morreria,
meu amor na tua mão,
nessa mão onde perfeito
bateu o meu coração.


História do Dia - "As Árvores Querem Mandar"

As Árvores Querem Mandar



No reino das árvores, as pessoas mandam muito. Dizem até algumas árvores que as pessoas mandam demais. Pois se, para que as árvores cresçam, há que escorá-las, para que elas se desenvolvam, há que podá-las, para que elas ganhem força, há que regá-las, o que é que resta às árvores, o que é que lhes cabe fazerem sozinhas?
- Fazemos os frutos - dizem as árvores mais experientes. - As pessoas ainda não conseguem fazer peras, maçãs, laranjas, romãs, cerejas, ginjas, ameixas, sem nós.
- Mas, depois, as pessoas tiram-nos o que fizemos - dizia um limoeiro novo.
- E para que é que tu precisas dos limões, meu tolo? - replicava uma macieira com muitos anos de vida.
- Para enfeitar - respondia o limoeiro.
Aconteceu que, naquele ano, por altura da apanha, o reino das árvores não foi visitado por ninguém.
O dono do pomar estaria doente ou teria ido para fora, talvez desinteressado das árvores a que, noutros anos, dera toda a atenção.
Os frutos por colher pendiam dos ramos. Uns secaram. Outros caíram no chão, apodrecidos. Uma lástima.
Ainda se aquele pomar ficasse perto da estrada que leva à escola, talvez houvesse quem se tentasse e fizesse a colheita por sua conta? Mas, como ficava num sítio isolado e pouco acessível, ninguém deu pelo pomar ao abandono.
Vieram os pássaros. Vieram as lagartas. Vieram os insectos. Foi uma razia.
Depois, o terreno do pomar não teve quem o lavrasse. Cresceram as silvas e as ervas daninhas. Muitas árvores ganharam moléstia. Deram, quando deram, uns frutos murchos e raquíticos. Sem préstimo.
Quando, tempos depois, o pomar abandonado foi visitado por pessoas, metia dó.
O pequeno limoeiro, que, entretanto, crescera, olhava em volta e só via árvores secas.
- Uma ruína - diziam as pessoas. - Salvou-se o limoeiro, porque é árvore resistente, mas mesmo esse precisa de tratamento.
Acompanhado e tratado arribou. É, agora, um belo e perfumado limoeiro, que não se importa nada, mesmo nada, de dar os seus limões às pessoas que lhos pedem.


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quinta-feira, 20 de outubro de 2011

História do Dia - "A Vida"

A Vida


Era uma vez um belo cabelo levado pelo vento. Loiro. Vinha uma corrente de ar e soprava-o para um lado. Vinha outra corrente de ar e soprava-o para o outro. E o cabelo rodopiava, solto à luz do Sol, que com qualquer coisa se maravilha. Até um singelo grão de pó, tocado pelo Sol, fica como se fosse de prata?
Cabelo de anjo seria? Cabelo de fada? Cabelo de menina que pela primeira vez se penteia?
- Esta história tem um cabelo - disse alguém, fazendo uma careta, como se dissesse ?Esta sopa tem um cabelo" e a pusesse de lado.
Pois tem. E depois? Um cabelo não merece história?
Então, continuemos.
O cabelo encontrou-se no ar com uma pena, uma pequeníssima pena, tão leve como ele. De pavão? De pintassilgo? De canário? Tanto faz. Há muito tempo que sabia voar sozinha.
Cabelo e pena são agora dois. Junta-se-lhes um fiapo de algodão, tão sem destino como eles. Já são três. E a história complica-se.
Para complicá-la mais, veio ter com eles um fio de seda, sabe-se lá donde? Talvez de uma bordadeira que sacudiu a saia. Ou de uma fita a enfeitar cartas, que o tempo esqueceu?
São coisas sem nada, sem peso, sem destino, mas com muita história por contar.
Uma semente, depois, agarra-se à pena, ao cabelo, ao fiapo, ao fio de seda, e todos juntos dançam a moda que o vento quer.
Ah, mas a semente é pesada e a dança termina cedo. Cai, arrastando consigo na queda as asas a que se juntara.
Logo a seguir veio a chuva. A semente afunda-se, um niquinho só, mais o rolo de coisas sem futuro, que caíram com ela.
E pronto.
Para a próxima Primavera, daquela semente vai nascer uma erva, com uma flor ao cimo. Uma flor branca, como o fiapo de algodão, de pétalas frágeis como penas. Há-de vir o vento arrebatá-la da haste e levá-la com ele, como um fio de seda, um cabelo, eu sei lá que mais?
É a vida.

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quarta-feira, 19 de outubro de 2011

História do Dia - "A Teia de Aranha"



Eu tive de ir ao sótão procurar uns jornais antigos.
Como toda a gente sabe, o sótão é o lugar da casa que menos é limpo. Nunca se convida as visitas para ir ao sótão. Nunca se utiliza o sótão, cheio de baús, malas e caixotes, para dar festas de aniversário. Até talvez não fosse má ideia?
Eu a entrar no sótão, e a esbarrar com uma teia de aranha.
- Que falta de consideração - barafustou a aranha. - Uma teia que me deu tanto trabalho a fabricar!
- Foi sem querer. Desculpe - disse-lhe eu, um tanto encavacado.
- Quem estraga, arranja - gritou-me ela.
- Mas eu não sei tecer teias de aranha?
- Então, não tivesse rasgado. Quem estraga, arranja - insistiu ela.
Não tenho feito outra coisa. Pedi instruções a um tecelão, a uma bordadeira e a uma senhora que trabalha em malhas. Cada uma ensinou-me o que sabia e eu, mal ou bem, com uma agulha muito fininha e um fio de nylon ainda mais fino tenho passado os dias no sótão a cosipar a teia da dona aranha.
Com tantas responsabilidades na minha vida, tantas histórias para contar, e sucede-me a mim uma destas. Ainda se a aranha se calasse, mas não se cala:
- Quem estraga, arranja.
E sempre a desfazer do meu trabalho:
- Que falta de jeito. Que horror.
Mais dia, menos dia, também eu me enervo e mando a aranha contar histórias, em vez de mim. Sempre queria ver como é que dava conta do recado.


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terça-feira, 18 de outubro de 2011

Cantinho da Biblioteca do mês de outubro dedicado à Música!


Estante temática do mês de outubro - Música!

Este mês, como forma de comemorar o Dia Mundial da Música, a Biblioteca Escolar dedica a sua Estante Temática à Música!




A equipa da Biblioteca Escolar deseja a todos um ano de sucesso e boas leituras!

No início de mais um ano letivo, a equipa da Biblioteca  Escolar do Colégio Bernardette Romeira, vem dar as boas-vindas a toda a comunidade educativa e aos fiéis seguidores do nosso blogue!

Este ano vamos continuar a apostar em atividades dinâmicas e enriquecedoras, considerando que a Biblioteca Escolar desempenha um papel  muito importante na aprendizagem dos nossos alunos.

Desejamos a todos um ano de sucesso e boas leituras!