sexta-feira, 29 de abril de 2011

Dia Mundial da Dança - 29 de abril

O Dia Internacional da Dança foi criado em 1982 pela UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura). A data 29 de Abril comemora o aniversário de Jean-George Noverre (nascido em 1727), formulador das bases cénicas da dança no século XVIII e autor das "Cartas sobre a Dança e os Ballets", livro fundamental até hoje para estudar a teoria e a prática da Dança. 

quarta-feira, 27 de abril de 2011

"As senhas" do 25 de Abril

A 1ª senha, para o início das operações militares a desencadear pelo Movimento das Forças Armadas, foi dada por João Paulo Dinis aos microfones dos Emissores Associados de Lisboa:
«Faltam cinco minutos para as vinte e três horas. Convosco, Paulo de Carvalho com o Eurofestival 74, E Depois do Adeus ...».

E Depois do Adeus
Paulo de Carvalho
(Música de José Cálvario e Letra de José Niza)




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A 2ª senha, para continuação do golpe foi dada pela canção Grândola, Vila Morena, de José  Afonso, posta no ar por Manuel Tomás, no programa Limite da Rádio Renascença, à meia-noite e vinte, sendo antecedida pela leitura da sua primeira quadra.


Grândula Vila Morena
Música e letra de José Afonso

A música que em 25 de Abril de 1974 lançou as tropas portuguesas para a rua. 
Era o início do golpe de Estado. Acabava a Ditadura...




Grândula Vila Morena
José Afonso

Grândola, vila morena
Terra da fraternidade
O povo é quem mais ordena
Dentro de ti, ó cidade

Dentro de ti, ó cidade
O povo é quem mais ordena
Terra da fraternidade
Grândola, vila morena

Em cada esquina um amigo
Em cada rosto igualdade
Grândola, vila morena
Terra da fraternidade

Terra da fraternidade
Grândola, vila morena
Em cada rosto igualdade
O povo é quem mais ordena

À sombra duma azinheira
Que já não sabia a idade
Jurei ter por companheira
Grândola a tua vontade.


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Clica aqui para ouvires as Canções de abril!

Clica aqui para leres Poesia de abril!

25 de Abril - A Revolução dos Cravos

Em seguida apresentamos-te dois livros relacionados com o 25 de Abril, que temos à tua disposição na nossa biblioteca escolar!

A Revolução Interior, À Procura do 25 de Abril
João Ramalho Santos, João Miguel Lameiras, José Carlos Fernandes





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O 25 de Abril Contado às Crianças... e aos Outros
Texto de José Jorge Letria
Ilustrações de João Abel Manta





O "Cantinho da Biblioteca" do mês de abril

A temática deste mês para o nosso "cantinho" relacionou-se com a literatura infantil!



Estante Temática do mês de abril - Dia Internacional do Livro Infantil, 2 de abril

Em abril a estante temática apresenta uma seleção variada de livros infantis!
Alguns dos livros expostos são: 
  • O Principezinho,  Antoine de Saint-Exupery
  • O Ulisses, Maria Alberta Meneres
  • O Patinho Feio
  • A Alice no País das Maravilhas, Lewis Carroll




Este mês de abril a estante temática apresenta-te também algumas referências do mundo da literatura infantil!

terça-feira, 26 de abril de 2011

Poema da Semana - Passado, Presente, Futuro

Passado, Presente, Futuro


Eu fui. Mas o que fui já me não lembra:
Mil camadas de pó disfarçam, véus,
Estes quarenta rostos desiguais.
Tão marcados de tempo e macaréus.

Eu sou. Mas o que sou tão pouco é:
Rã fugida do charco, que saltou,
E no salto que deu, quanto podia,
O ar dum outro mundo a rebentou.

Falta ver, se é que falta, o que serei:
Um rosto recomposto antes do fim,
Um canto de batráquio, mesmo rouco,
Uma vida que corra assim-assim.

José Saramago, in "Os Poemas Possíveis



Biografia

 
José Saramago nasceu na aldeia de Azinhaga, província do Ribatejo, no dia 16/11/1922, se bem que o registo oficial mencione como data de nascimento o dia 18. Os seus pais emigraram para Lisboa quando ele não havia ainda completado dois anos. A maior parte da sua vida decorreu, portanto, na capital, embora até aos primeiros anos da idade adulta fossem numerosas, e por vezes prolongadas, as suas estadas na aldeia natal. Fez estudos secundários (liceais e técnicos) que, por dificuldades económicas, não pôde prosseguir. O seu primeiro emprego foi como serralheiro mecânico, tendo exercido depois diversas profissões: desenhador, funcionário da saúde e da previdência social, tradutor, editor, jornalista. Publicou o seu primeiro livro, um romance, Terra do Pecado, em 1947, tendo estado depois largo tempo sem publicar (até 1966). Trabalhou durante doze anos numa editora, onde exerceu funções de direcção literária e de produção. Colaborou como crítico literário na revista Seara Nova. Em 1972 e 1973 fez parte da redacção do jornal Diário de Lisboa, onde foi comentador político, tendo também coordenado, durante cerca de um ano, o suplemento cultural daquele vespertino. Pertenceu à primeira Direcção da Associação Portuguesa de Escritores e foi, de 1985 a 1994, presidente da Assembleia Geral da Sociedade Portuguesa de Autores. Entre Abril e Novembro de 1975 foi director-adjunto do jornal Diário de Notícias. A partir de 1976 passou a viver exclusivamente do seu trabalho literário, primeiro como tradutor, depois como autor. Em Fevereiro de 1993 decidiu repartir o seu tempo entre a sua residência habitual em Lisboa e a ilha de Lanzarote, no arquipélago das Canárias (Espanha). É casado com Pilar del Río.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Poema da Semana - Desporto e Pedagogia

Desporto e Pedagogia

Diz ele que não sei ler
Isso que tem? Cá na aldeia
Não se arranjam dúzia e meia
Que saibam ler e escrever.

II
P'ra escolas não há bairrismo,
Não há amor nem dinheiro.
Por quê? Porque estão primeiro
O Futebol e o Ciclismo!

III
Desporto e pedagogia
Se os juntassem, como irmãos,
Esse conjunto daria,
Verdadeiros cidadãos!
Assim, sem darem as mãos,
O que um faz, outro atrofia.

IV
Da educação desportiva,
Que nos prepara p'ra vida,
Fizeram luta renhida
Sem nada de educativa.

V
E o povo, espectador em altos gritos,
Provoca, gesticula, a direito e torto,
Crendo assim defender seus favoritos
Sem lhe importar saber o que é desporto.

VI
Interessa é ganhar de qualquer maneira.
Enquanto em campo o dever se atropela,
Faz-se outro jogo lá na bilheteira,
Que enche os bolsinhos aos que vivem dela.

VII
Convém manter o Zé bem distraído
Enquanto ele se entrega à diversão,
Não pode ver por quantos é comido
E nem se importa que o comam, ou não.

VIII
E assim os ratos vão roendo o queijo
E o Zé, sem ver que é palerma, que é bruto,
De vez em quando solta o seu bocejo,
Sem ter p'ra ceia nem pão, nem conduto.


António Aleixo, in "Este Livro que Vos Deixo..."




Biografia

António Fernandes Aleixo (Vila Real de Santo António, 18 de Fevereiro de 1899 — Loulé, 16 de Novembro de 1949) foi um poeta popular português.

Considerado um dos poetas populares algarvios de maior relevo, famoso pela sua ironia e pela crítica social sempre presente nos seus versos, António Aleixo também é recordado por ter sido simples, humilde e semi-analfabeto, e ainda assim ter deixado como legado uma obra poética singular no panorama literário português da primeira metade do século XX. No emaranhado de uma vida cheia de pobreza, mudanças de emprego, emigração, tragédias familiares e doenças na sua figura de homem humilde e simples, havia o perfil de uma personalidade rica, vincada e conhecedora das diversas realidades da cultura e sociedade do seu tempo. Do seu percurso de vida fazem parte profissões como tecelão, guarda de polícia e servente de pedreiro, trabalho este que, como emigrante foi exercido em França. De regresso ao seu país natal, estabeleceu-se novamente em Loulé, onde passou a vender cautelas e a cantar as suas produções pelas feiras portuguesas, actividades que se juntaram às suas muitas profissões e que lhe renderia a alcunha de "poeta-cauteleiro". Faleceu por conta de uma tuberculose, em 16 de Novembro de 1949, doença que tempos antes havia também vitimado uma de suas filhas.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Poema da Semana - Pó


  
Nas estantes os livros ficam
(até se dispersarem ou desfazerem)
enquanto tudo passa.
O pó acumula-se
e depois de limpo
torna a acumular-se
no cimo das lombadas.
Quando a cidade está suja
(obras, carros, poeiras)
o pó é mais negro
e por vezes espesso.
Os livros ficam,
valem mais que tudo,
mas apesar do amor
(amor das coisas mudas que sussurram)
e do cuidado doméstico fica sempre,
em baixo, do lado oposto à lombada,
uma pequena marca negra do pó nas páginas.
Marca faz parte dos livros.
Estão marcados.
Nós também.

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Pedro Mexia, in "Duplo Império"



Biografia

Poeta português, Pedro Mexia nasceu em 1972 na cidade de Lisboa. Após ter concluído os seus estudos secundários, ingressou no curso de Direito da Universidade Católica Portuguesa, que completou com sucesso. Prosseguiu para a Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, de onde arrebatou um mestrado em Estudos Americanos. Pedro Mexia passou depois a colaborar com publicações como o Diário de Notícias, na qualidade de crítico literário, e a escrever artigos para a revista Grande Reportagem, vendida em conjunto com jornais como o Diário de Notícias. Escreve actualmente no Expresso. Assina também uma coluna mensal na revista LER. Debruçou-se entretanto para a poesia, estreando-se em 1998 na revista Colóquio. No ano seguinte publicou o seu primeiro livro, uma colectânea de poemas intitulada Duplo Império (1999). Seguiram-se Em Memória (2000), Avalanche (2001) e Eliot e Outras Observações (2003). Foi subdirector e director interino da Cinemateca Portuguesa (2008-2010). Tem colaborado regularmente em projectos das Produções Fictícias. É um dos membros do Governo Sombra, na TSF. Publicou seis livros de poemas. Está representado em 366 Poemas que Falam de Amor. Organizou e prefaciou o volume de ensaios de Agustina Bessa-Luís Contemplação Carinhosa da Angústia. Escreveu a letra de uma canção ("Lixo") do álbum "Equilíbrio" (2010), de Balla.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Poema da Semana - Bebido o luar

Bebido o luar

Bebido o luar, ébrios de horizontes,
Julgamos que viver era abraçar
O rumor dos pinhais, o azul dos montes
E todos os jardins verdes do mar.

Mas solitários somos e passamos,
Não são nossos os frutos nem as flores,
O céu e o mar apagam-se exteriores
E tornam-se os fantasmas que sonhamos.

Por que jardins que nós não colheremos,
Límpidos nas auroras a nascer,
Por que o céu e o mar se não seremos
Nunca os deuses capazes de os viver.


Sophia de Mello Breyner Andresen

                           










Biografia
 
1919/11/06 - 2004/07/02
Sophia de Mello Breyner Andresen poetisa e contista portuguesa, nasceu no Porto, no seio de uma família aristocrática, e aí viveu até aos dez anos, altura em que se mudou para Lisboa. Frequentou o curso de Filologia Clássica na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, em consonância com o seu fascínio pelo mundo grego (que a levou igualmente a viajar pela Grécia e por toda a região mediterrânica), não tendo todavia chegado a concluí-lo. Teve uma intervenção política empenhada, opondo-se ao regime salazarista (foi co-fundadora da Comissão Nacional de Socorro aos Presos Políticos) e também, após o 25 de Abril, como deputada. Presidiu ao Centro Nacional de Cultura e à Assembleia Geral da Associação Portuguesa de Escritores. O ambiente da sua infância reflecte-se em imagens e ambientes presentes na sua obra, sobretudo nos livros para crianças. A sua actividade literária (e política) pautou-se sempre pelas ideias de justiça, liberdade e integridade moral. Colaborou nas revistas Cadernos de Poesia (1940), Távola Redonda (1950) e Árvore (1951) e conviveu com nomes da literatura como Miguel Torga, Rui Cinatti e Jorge de Sena. Colaborou ainda com Júlio Resende na organização de um livro para a infância e juventude, intitulado Primeiro Livro de Poesia (1993). A sua obra literária encontra-se parcialmente traduzida em França, Itália e nos Estados Unidos da América. Em 1994 recebeu o Prémio Vida Literária, da Associação Portuguesa de Escritores e, no ano seguinte, o Prémio Petrarca, da Associação de Editores Italianos. O seu valor, como poetisa e figura da cultura portuguesa, foi também reconhecido através da atribuição do Prémio Camões, em 1999. Em 2001, foi distinguida com o Prémio Max Jacob de Poesia, num ano em que o prémio foi excepcionalmente alargado a poetas de língua estrangeira. Em Agosto do mesmo ano, foi lançada a antologia poética Mar. Em Outubro publicou o livro O Colar. Em Dezembro, saiu a obra poética Orpheu e Eurydice, onde o orphismo está, mais uma vez, presente, bem como o amor entre Orpheu, símbolo dos poetas, e Eurydice, que a autora recupera num sentido diverso do instaurado pela tradição helénica.