segunda-feira, 28 de março de 2011

Poema da Semana - O Futuro

O FUTURO

Isto vai meus amigos isto vai
um passo atrás são sempre dois em frente
e um povo verdadeiro não se trai
não quer gente mais gente que outra gente.

Isto vai meus amigos isto vai
o que é preciso é ter sempre presente
que o presente é um tempo que se vai
e o futuro é o tempo resistente.

Depois da tempestade há a bonança
que é verde como a cor que tem a esperança
quando a água de Abril sobre nós cai.

O que é preciso é termos confiança
se fizermos de Maio a nossa lança
isto vai meus amigos isto vai.


Ary dos Santos













Biografia

Oriundo de uma família da alta burguesia, José Carlos Ary dos Santos, conhecido no meio social e literário por Ary dos Santos, nasceu em Lisboa a 7 de Dezembro de 1937. Aos catorze anos, a sua família publica-lhe alguns poemas, considerados maus pelo poeta. No entanto, Ary dos Santos revelaria verdadeiramente as suas qualidades poéticas em 1954, com dezasseis anos de idade. É nessa altura que vê os seus poemas serem seleccionados para a Antologia do Prémio Almeida Garrett. Em 1963 dar-se -ia a sua estreia efectiva com a publicação do livro de poemas " A Liturgia do Sangue”. Em 1969, ano que o próprio Ary dos Santos considerava ter marcado decisivamente a sua vida, inicia-se na actividade política ao filiar-se no PCP, participando de forma activa nas sessões de poesia do então intitulado "canto livre perseguido". Entretanto, concorre, sob pseudónimo, ao Festival da Canção da RTP com os poemas "Desfolhada"e "Tourada", obtendo os primeiros prémios. É aliás através deste campo – o da música que o poeta melhor se tornaria conhecido entre o grande público. Gravou, ele próprio, textos ou poemas de e com muitos outros autores e intérpretes e ainda um duplo álbum contendo O Sermão de Santo António aos Peixes do Padre António Vieira. À data da sua morte tinha em preparação um livro de poemas intitulado As Palavras das Cantigas, onde era seu propósito reunir os melhores poemas dos últimos quinze anos, e um outro intitulado Estrada da Luz - Rua da Saudade, que pretendia fosse uma autobiografia romanceada. O poeta deixou-nos a 18 de Janeiro de 1984. Postumamente, o seu nome foi dado a um largo do Bairro de Alfama, descerrando-se uma lápide evocativa na casa da Rua da Saudade, onde viveu praticamente toda a sua vida. Ainda em 1984, foi lançada a obra VIII Sonetos de Ary dos Santos, com um estudo sobre o autor de Manuel Gusmão e planeamento gráfico de Rogério Ribeiro, no decorrer de uma sessão na Sociedade Portuguesa de Autores, da qual o autor era membro.

terça-feira, 22 de março de 2011

Dia Mundial das Florestas - 21 de Março!

Ontem, 21 de março, na nossa biblioteca, comemorámos também o Dia Mundial das Florestas!
Este dia foi instituído em 1872 com o objetivo de sensibilizar a população mundial sobre a importância da preservação das florestas.
As florestas são habitats naturais de milhares de espécies, tanto de plantas, quanto de animais, portanto é essencial protegê-las! As florestas são também vitais para o ciclo da água e grandes aliadas no combate ao efeito estufa e à má qualidade do ar, por terem a capacidade de captar dióxido de carbono e transformá-lo em oxigénio!

Relembramos que, em janeiro deste ano, a ONU decretou 2011 como o Ano Internacional das Florestas.

Realizámos uma exposição relacionada com as florestas de modo a sensibilizar os nossos alunos para esta temática recorrendo a cartazes obtidos no website oficial do Comité Português para o Ano Internacional das Florestas!   
Esta sensibilização passou também pela visualização do filme documentário "Home" na Sala de Convívio!

segunda-feira, 21 de março de 2011

Poema da Semana - A um Amigo

A um Amigo


Fiel ao costume antigo,
Trago ao meu jovem amigo
Versos próprios deste dia.
E que de os ver tão singelos,
Tão simples como eu, não ria:
Qualquer os fará mais belos,
Ninguém tão d’alma os faria.

Que sobre a flor de seus anos
Soprem tarde os desenganos;
Que em torno os bafeje amor,
Amor da esposa querida,
Prolongando a doce vida
Fruto que suceda à flor.

Recebe este voto, amigo,
Que eu, fiel ao uso antigo,
Quis trazer-te neste dia
Em poucos versos singelos.
Qualquer os fará mais belos,
Ninguém tão d’alma os faria.


Almeida Garrett, in 'Folhas Caídas'












Biografia

Nasceu no Porto, a 4 de Fevereiro de 1799, João Baptista da Silva Leitão de Almeida Garrett faleceu em Lisboa a 9 de Dezembro de 1854. Os seus pais refugiaram-se em Angra, como consequência da invasão francesa de Soult, em 1809, onde o escritor recebeu a influência benéfica do seu tio paterno, o bispo D. Frei Alexandre da Sagrada Família, tendo recebido Ordens Menores e tendo mesmo, aos 15 anos, subido ao púlpito numa igreja da Graciosa, em substituição do pregador. Matriculado em 1816 na Faculdade de Direito de Coimbra, em breve se dedica à actividade dramática num meio académico agitado pelas novas ideias, sobretudo políticas. Concluído o curso, em 1821 (ano em que termina O Retrato de Vénus), vem para Lisboa, onde imediatamente acumula triunfos, no âmbito literário, com a representação de Catão (estreado a 29-11-1821), afectivos, com o fulgurante casamento com Luísa Midosi (de quem viria a separar-se em 1836), e políticos, inaugurados estes com a oração fúnebre a Manuel Fernandes Tomás. Exilado como liberal em 1823, viveu em Inglaterra e em França até 1826. No regresso a Portugal dirige os jornais O Português e O Cronista, mas conhece de novo o exílio de 1828 a 1832, voltando a Portugal com os bravos do Mindelo. De 1833 a 1836, é nomeado Encarregado de Negócios e Cônsul-Geral na Bélgica. Passo Manuel, na chefia do Governo após a Revolução de Setembro de 1838, encarrega-o da restauração do teatro português, missão que leva a cabo criando, não só o Conservatório de Arte Dramática, mas igualmente a Inspecção-Geral dos Teatros e sobretudo o Teatro Nacional. É nomeado Deputado em 1837, Cronista-Mor em 1838 e finalmente Par do Reino em 1851. Em 1852, num Ministério presidido por Saldanha, foi encarregado, por alguns meses, da pasta dos Negócios Estrangeiros. D. Pedro V agraciou-o, a 25 de Junho de 1854, meses antes da sua morte, com o título de Visconde de Almeida Garrett.

Hoje comemoramos o Dia Internacional da Luta pela Eliminação da Discriminação Racial.

Este dia Internacional foi instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU) 20 anos depois do massacre ocorrido em 1960, em Shaperville. Em 21 de março desse ano, na África do Sul, 20.000 pessoas faziam um protesto contra a Lei do Passe, que obrigava a população negra a portar um cartão que continha os locais onde era permitida sua circulação. Porém, mesmo tratando-se de uma manifestação pacífica, a polícia do regime de apartheid abriu fogo sobre a multidão desarmada resultando em 69 mortos e 186 feridos.


O que se entende por discriminação racial?


A lei utiliza a expressão “discriminação racial” para enquadrar todos os comportamentos que directa ou subtilmente, prejudicam uma pessoa por força da sua cor de pele, da sua nacionalidade, da sua raça ou da sua origem étnica.
Em termos mais formais, entende-se por discriminação racial qualquer distinção, exclusão, restrição ou preferência em função da raça, cor, ascendência, origem nacional ou étnica, que tenha por objectivo ou produza como resultado a anulação ou restrição do reconhecimento, fruição ou exercício, em condições de igualdade, de direitos, liberdades e garantias ou de direitos económicos, sociais e culturais.


Para mais informações relacionadas com esta temática visita o site da Comissão para a Igualdade e contra a Discriminação Racial: http://www.cicdr.pt/





Respeite o Imigrante



Discriminar não é humano




Lágrima de preta

Encontrei uma preta

que estava a chorar

pedi-lhe uma lágrima
para a analisar.

Recolhi a lágrima

com todo o cuidado
num tubo de ensaio

bem esterilizado.

Olhei-a de um lado,

do outro e de frente:
tinha um ar de gota
muito transparente.

Mandei vir os ácidos,

as bases e os sais,

as drogas usada
s
em casos que tais.


Ensaiei a frio,

experimentei ao lume,

de todas as vezes

deu-me o que é costume:

nem sinais de negro,

nem vestígios de ódio.

Água (quase tudo)
e cloreto de sódio.

António Gedeão

segunda-feira, 14 de março de 2011

Poema da Semana - Evolução

Evolução

Fui rocha em tempo, e fui no mundo antigo
tronco ou ramo na incógnita floresta...
Onda, espumei, quebrando-me na aresta
Do granito, antiquíssimo inimigo...

Rugi, fera talvez, buscando abrigo
Na caverna que ensombra urze e giesta;
O, monstro primitivo, ergui a testa
No limoso paúl, glauco pascigo...

Hoje sou homem, e na sombra enorme
Vejo, a meus pés, a escada multiforme,
Que desce, em espirais, da imensidade...

Interrogo o infinito e às vezes choro...
Mas estendendo as mãos no vácuo, adoro
E aspiro unicamente à liberdade.


Antero de Quental, in “Sonetos”















Biografia
Nasceu nos Açores em 1842. Durante a sua vida, Antero de Quental dedicou-se à poesia, à filosofia e à política. Iniciou seus estudos na cidade natal, mudando para Coimbra aos 16 anos, ali estudando Direito e manifestando as primeiras ideias socialistas. Em 1861, publicou seus primeiros sonetos. Quatro anos depois, publicou as Odes Modernas, influenciadas pelo socialismo experimental de Proudhon, enaltecendo a revolução. Nesse mesmo ano iniciou a Questão Coimbrã, em que Antero e outros poetas foram atacados por António Feliciano de Castilho, por instigarem a revolução intelectual. Como resposta, Antero publicou os opúsculos Bom Senso e Bom Gosto, carta ao Exmo. Sr. António Feliciano de Castilho, e A Dignidade das Letras e as Literaturas Oficiais. Em 1868 regressou a Lisboa, onde formou o Cenáculo, de que fizeram parte, entre outros, Eça de Queirós, Abílio de Guerra Junqueiro e Ramalho Ortigão. Foi um dos fundadores do Partido Socialista Português. Em 1869, fundou o jornal A República, com Oliveira Martins, e em 1872, juntamente com José Fontana, passou a editar a revista O Pensamento Social. Em 1874, com tuberculose, descansou por um ano, mas em 1875, fez a reedição das Odes Modernas. Em 1886 publicou aquela que é considerada pelos críticos como sua melhor obra poética, Sonetos Completos, com características autobiográficas e simbolistas. Em 1881 foi, por razões de saúde, e a conselho do seu médico, viver em Vila do Conde, onde fixou residência. O período em Vila do Conde foi considerado pelo poeta o melhor período da sua vida: "Aqui as praias são amplas e belas, e por elas me passeio ou me estendo ao sol com a voluptuosidade que só conhecem os poetas e os lagartos adoradores da luz." Em 1886 foram publicados os Sonetos Completos, coligidos e prefaciados por Oliveira Martins. Regressou a Lisboa, em Maio de 1891, instalou-se em casa da irmã, Ana de Quental. Portador de Transtorno Bipolar, nesse momento o seu estado de depressão era permanente. Após um mês, em Junho de 1891, regressou a Ponta Delgada, suicidando-se no dia 11 de Setembro de 1891, com dois tiros na boca, disparados num banco de jardim de um convento onde havia um letreiro na parede com a palavra "esperança".


quinta-feira, 10 de março de 2011

Estante Temática do mês de março - Pelos Caminhos de Portugal

Em março a estante temática apresenta uma bibliografia dedicada ao nosso país!
Serão expostos livros relacionados com a história, regiões e costumes de Portugal!
Poderás também ficar a conhecer as sete maravilhas de Portugal e outros monumentos relevantes do património português!


quarta-feira, 9 de março de 2011

Exposição "Regiões de Portugal"

No dia 4 de Março realizou-se, no Colégio Bernardette Romeira, o Dia Temático cujo tema foi "Pelos Caminhos de Portugal". O Dia Temático é uma forma criativa de celebrar o Carnaval na nossa instituição. Este ano organizámos jogos tradicionais, desfiles etnográficos, almoço com a gastronomia típica de Portugal e também várias exposições com o objectivo de mostrar a riqueza de Portugal!

A Biblioteca Escolar do Colégio Bernardette Romeira realizou uma exposição sobre algumas regiões portuguesas. Foram expostos cartazes, folhetos e brochuras com informações sobre a Madeira, os Açores, o Algarve, Lisboa e Vale do Tejo e Douro! O objectivo foi dar a conhecer à nossa comunidade educativa essas regiões!

Agradecemos às Entidades Regionais de Turismo que contribuiram com material informativo.







Novidade na Biblioteca - Oferta da Nova Era - Distribuidora de Livros!

Agradecemos à Nova Era, Distribuidora de Livros esta sua oferta!

O Corpo Humano





Resumo
Explicações através de textos e imagens; respostas às perguntas das crianças; páginas de curiosidades com fotografias, recordes e jogos!

segunda-feira, 7 de março de 2011

Poema da Semana - As Aldeias

AS ALDEIAS

 Eu gosto das aldeias sossegadas,
Com seu aspecto calmo e pastoril,
Erguidas nas colinas azuladas,
Mais frescas que as manhãs finas de Abril.

Pelas tardes das eiras, como eu gosto
De sentir a sua vida activa e sã!
Vê-las na luz dolente do sol-posto,
E nas suaves tintas da manhã!...

As crianças do campo, ao amoroso
Calor do dia, folgam seminuas
E exala-se um sabor misterioso
Da agreste solidão das suas ruas.

Alegram as paisagens as crianças
Mais cheias de murmúrios de que um ninho;
E elevam-nos às coisas simples, mansas,
Ao fundo, as brancas velas dum moinho.

Pelas noites de Estio, ouvem-se os ralos
zunirem suas notas sibilantes...
E mistura-se o uivar dos cães distantes.


António Duarte Gomes Leal














Biografia
António Duarte Gomes Leal nasceu em Lisboa a 6 de Junho de 1848 morreu no dia 29 de Janeiro de 1921.
Foi um poeta e crítico literário português. Filho natural de João António Gomes Leal (m. 1876), funcionário da Alfândega, e de Henriqueta Fernandina Monteiro Alves Cabral Leal. Frequentou o Curso Superior de Letras, mas não o concluiu, empregando-se como escrevente de um notário de Lisboa. Durante a sua juventude assumiu pose de poeta boémio, satânico e janota, mas com a morte da sua mãe, em 1910, caiu na pobreza e converteu-se ao catolicismo. Vivia da caridade alheia, chegando a passar fome e a dormir ao relento, em bancos de jardim, como um vagabundo, tendo uma vez sido brutalmente agredido. No final da vida Teixeira de Pascoes e outros escritores lançaram um apelo público para que o Estado lhe atribuísse uma pensão, o que foi conseguido, apesar de diminuta. Foi um dos fundadores do jornal "O Espectro de Juvenal" (1872)e do jornal “ O Século “(1881), tendo colaborado também na Gazeta de Portugal, Revolução de Setembro e Diário de Notícias. A sua obra insere-se nas correntes ultra-romântica, parnasiana, simbolista e decadentista.