segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Poema da Semana - Vaidade, tudo Vaidade!

Vaidade, Tudo Vaidade!

Vaidade, meu amor, tudo vaidade!
Ouve: quando eu, um dia, for alguém,
Tuas amigas ter-te-ão amizade,
(Se isso é amizade) mais do que, hoje, têm.

Vaidade é o luxo, a glória, a caridade,
Tudo vaidade! E, se pensares bem,
Verás, perdoa-me esta crueldade,
Que é uma vaidade o amor de tua mãe...

Vaidade! Um dia, foi-se-me a Fortuna
E eu vi-me só no mar com minha escuna,
E ninguém me valeu na tempestade!

Hoje, já voltam com seu ar composto,
Mas eu, vê lá! eu volto-lhes o rosto...
E isto em mim não será uma vaidade?


António Nobre


Biografia
António Nobre nasceu em 1867. Em 1888 matriculou-se no curso de Direito da Universidade de Coimbra, mas não se inseriu na vida estudantil coimbrã, reprovando por duas vezes. Partiu para Paris em 1890, onde frequentou a Escola Livre de Ciências Políticas, licenciando-se em 1895. Durante a sua permanência em França familiarizou-se com as novas tendências da poesia do seu tempo, aderindo ao simbolismo. Foi também em Paris que contactou com Eça de Queirós, na altura cônsul de Portugal naquela cidade, e escreveu a maior parte dos poemas que viriam a constituir a colectânea Só, que publicaria naquela cidade em 1892. O livro de poesia” Só”, que seria a sua única obra publicada em vida, constitui um dos marcos da poesia portuguesa do século XIX. Esta obra seria, ainda em sua vida, reeditada em Lisboa, com variantes, lançando definitivamente o poeta no meio cultural português. Aparecida num período em que o simbolismo era a corrente dominante na poesia portuguesa coeva,” Só” diferencia-se dos cânones dominantes desta corrente, o que poderá explicar as críticas pouco lisonjeiras com que a obra foi inicialmente recebida em Portugal. Apesar desse acolhimento, a obra de António Nobre teve como mérito, juntamente com Cesário Verde, Guerra Junqueiro, Antero de Quental, entre outros, de influenciar decisivamente o modernismo português e tornar a escrita simbolista mais coloquial e leve. No seu regresso a Portugal decidiu enveredar pela carreira diplomática, tendo participado, sem sucesso, num concurso para cônsul. Entretanto adoece com tuberculose pulmonar. Vítima da tuberculose pulmonar, faleceu na Foz do Douro, a 18 de Março de 1900.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Poema da Semana - O testamento dos namorados

O Testamento dos Namorados

Escolhamos as coisas mais inúteis
o verde água o rumor das frutas
e partamos como quem sai
ao domingo naturalmente.

Deixemos entretanto o sinal
de ter existido carnalmente:
da tua força um castiçal
da minha fragilidade um pente.

Esse hieróglifo essa lousa
deixemos para que uma criança
a encontre como quem ousa
um novo passo de dança.

Natália Correia














Biografia
Natália de Oliveira Correia nasceu na Fajã de Baixo, ilha de São Miguel, Açores, em 13/09/1923 e morreu em Lisboa em 16/03/1993. No que diz respeito à sua vida pessoal, Natália casa-se quatro vezes. A nível político, em 1979, com apenas os estudos secundários (feitos em Lisboa), Natália torna-se deputada na Assembleia da República. No ano seguinte foi eleita nas listas do Partido Popular Democrático, onde se tornou independente. A nossa escritora foi também fundadora, em 1992, junto a José Saramago, Armindo Magalhães, Manuel da Fonseca e Urbano Tavares
Rodrigues. A literatura foi uma ferramenta importante na medida em que sendo uma activista social açoriana teve um papel activo na oposição ao Estado Novo. Como escritora Natália Correia não tem um estilo literário definido. Nele podemos encontrar, inicialmente, o surrealismo e mais tarde o romantismo. Esta iniciou-se na literatura com a publicação de uma obra destinada ao público infantil, mas, mais tarde afirma-se como poetisa. Contudo podemos ver Natália não só como poetisa mas também como dramaturga, romancista, ensaísta, tradutora, jornalista, guionista e editora, onde foi responsável pela coordenação da Editora Arcádia. Em 1966, foi condenada a três anos de prisão, com pena suspensa, pela publicação da Antologia da Poesia Portuguesa Erótica e Satírica. Uma obra que foi considerada como uma ofensa aos costumes. Foi ainda processada pela responsabilidade editorial das Novas Cartas
Portuguesas de Maria Isabel Barreno, Maria Velho da Costa e Maria Teresa Horta. Contudo o excelente trabalho da escritora foi reflectido em 1991 no Grande Prémio de Poesia da Associação Portuguesa de Escritores pelo livro Sonetos Românticos. No mesmo ano foi-lhe atribuída a Ordem da Liberdade (era já detentora da Ordem de Santiago.)

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Poema da Semana - Nascemos para amar

Nascemos para Amar

Nascemos para amar; a Humanidade
Vai, tarde ou cedo, aos laços da ternura.
Tu és doce atractivo, ó Formosura,
Que encanta, que seduz, que persuade.

Enleia-se por gosto a liberdade;
E depois que a paixão na alma se apura,
Alguns então lhe chamam desventura,
Chamam-lhe alguns então felicidade.

Qual se abisma nas lôbregas tristezas,
Qual em suaves júbilos discorre,
Com esperanças mil na ideia acesas.

Amor ou desfalece, ou pára, ou corre:
E, segundo as diversas naturezas,
Um porfia, este esquece, aquele morre.


Manuel Maria Barbosa du Bocage















Biografia
Nasceu em 1765 em Setúbal e faleceu em 1805. A sua infância foi infeliz. O pai foi preso, quando ele tinha seis anos. A sua mãe faleceu quando tinha dez anos. Possivelmente ferido por um amor não correspondido, assentou praça como voluntário em 1781 e permaneceu no Exército até 1783. Nessa data, foi admitido na Escola da Marinha Real, onde fez estudos regulares para guarda-marinha. No final do curso desertou. Nessa altura, já a sua fama de poeta e versejador corria por Lisboa. Em 1786, embarcou para a Índia, na nau “Nossa Senhora da Vida, Santo António e Madalena”, que chegou ao Rio de Janeiro em finais de Junho. Gostou tanto da cidade que, pretendendo permanecer definitivamente, dedicou ao vice-rei algumas poesias-canção cheias de bajulações, visando atingir seus objectivos. Sendo porém o vice-rei avesso a elogios, e admoestado com algumas rimas de baixo calão, fê-lo prosseguir viagem para as Índias". Fez escala na Ilha de Moçambique (início de Setembro) e chegou à Índia em 1786. Em Pangim, frequentou de novo estudos regulares de oficial de marinha. Foi depois colocado em Damão, mas desertou em 1789, embarcando para Macau. Foi preso pela inquisição, e na cadeia traduziu poetas franceses e latinos. A década seguinte é a da sua maior produção literária e também o período de maior boémia e vida de aventuras. Ainda em 1790 foi convidado e aderiu à Academia das Belas Letras ou Nova Arcádia, onde adoptou o pseudónimo Elmano Sadino. Mas passado pouco tempo escrevia já ferozes sátiras contra os confrades. Em 1791, foi publicada a 1.ª edição das “Rimas”. Em 1797 foi preso. Aí ficou até 17 de Fevereiro de 1798, tendo ido depois para o Real Hospício das Necessidades, dirigido pelos Padres Oratorianos de São Filipe Neri, depois de uma breve passagem pelo Convento dos Beneditinos. Durante este longo período de detenção, Bocage mudou o seu comportamento e começou a trabalhar seriamente como redactor e tradutor. Só saiu em liberdade no último dia de 1798. De 1799 a 1801 trabalhou sobretudo com Frei José Mariano da Conceição Veloso, um frade brasileiro, que lhe deu muitos trabalhos para traduzir. A partir de 1801, até à morte por aneurisma, viveu em casa por ele arrendada no Bairro Alto.


quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Estante Temática do Mês de Fevereiro - O Amor e a Amizade

Este mês celebramos o amor e a amizade! 
Assim apresentamos-te uma bibliografia relacionada com estes temas! 








O "Cantinho da Biblioteca" do mês de Fevereiro

A temática deste mês para o nosso "cantinho" foi o Amor e a Amizade!








segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Poema da Semana - Poema do amigo aprendiz

Poema do amigo aprendiz

Quero ser o teu amigo.
Nem demais e nem de menos.
Nem tão longe e nem tão perto.
Na medida mais precisa que eu puder.

Mas amar-te sem medida e ficar na tua vida, da maneira mais discreta que eu souber.
Sem tirar-te a liberdade, sem jamais te sufocar.
Sem forçar tua vontade.
Sem falar, quando for hora de calar.

E sem calar, quando for hora de falar.
Nem ausente, nem presente por demais.
Simplesmente, calmamente, ser-te paz.

É bonito ser amigo, mas confesso é tão difícil aprender!
E por isso eu te suplico paciência. Vou encher este teu rosto de lembranças, dá-me tempo, de acertar nossas distâncias…

Fernando Pessoa













Biografia
Fernando António Nogueira Pessoa (Lisboa, 13 de Junho de 1888 — Lisboa, 30 de Novembro de 1935), mais conhecido como Fernando Pessoa, foi um poeta e escritor português. É considerado um dos maiores poetas da Língua Portuguesa, e da Literatura Universal, muitas vezes comparado com Luís de Camões. O crítico literário Harold Bloom considerou a sua obra um "legado da língua portuguesa ao mundo". Por ter crescido na África do Sul, para onde foi aos sete anos em virtude do casamento de sua mãe,Fernando Pessoa aprendeu a língua inglesa. Das quatro obras que publicou em vida, três são na língua inglesa. Fernando Pessoa dedicou-se também a traduções desse idioma. Ao longo da vida trabalhou em várias firmas como correspondente comercial. Foi também empresário, editor, crítico literário, activista político, tradutor, jornalista, inventor, publicitário e publicista, ao mesmo tempo que produzia a sua obra literária. Como poeta, desdobrou-se em múltiplas personalidades conhecidas como heterónimos, objecto da maior parte dos estudos sobre sua vida e sua obra. Centro irradiador da heteronímia, auto-denominou-se um "drama em gente". Fernando Pessoa morreu de cirrose hepática aos 47 anos, na cidade onde nasceu. Sua última frase foi escrita em Inglês: "I don't know what tomorrow will bring… " ("Não sei o que o amanhã trará").

Hora do Conto - "A História da Árvore Elvira"

No dia 26 de Janeiro, às 10h00 da manhã realizou-se, na biblioteca escolar do colégio, a hora do conto para as turmas do pré-escolar. As educadoras Cátia, Verónica e Tânia acompanharam os alunos. Às 15h00 a turma do primeiro ano visitou também a biblioteca para assistir à hora do conto.
A Isilda e a animadora Raquel contaram e interpretaram “A História da Árvore Elvira”. Esta história foi escolhida porque este ano comemora-se o Ano Internacional das Florestas, e este conto serviu para sensibilizar estes alunos para a preservação e importância das florestas! 

Isilda Buchinho e Raquel Luís

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Poema da Semana - Amor é fogo que arde sem se ver

Amor é fogo que arde sem se ver
Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer.

É um não querer mais que bem querer;
É um andar solitário entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É um cuidar que se ganha em se perder.

É querer estar preso por vontade
É servir a quem vence o vencedor,
É ter com quem nos mata lealdade.

Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade;
Se tão contrário a si é o mesmo amor?

Luís de Camões













Biografia
Luís Vaz de Camões é considerado o maior poeta Português.
Nasceu em 1524/25, em Coimbra, na capital do Império. Diz-se que estudou em Coimbra. Padre Manuel Correia que o conheceu pessoalmente, diz que ele nasceu a 1517, filhode Simão Vaz de Camões e Ana de D. Fernando, estudou de 1531 a 1541.
Em 1542 a 1545, Camões teria vindo de Coimbra para a corte em Lisboa, rico de humanidades, (ele tinha muita experiência amorosa).
Entre 1545 a 1548, em Ceuta, Luís Vaz de Camões teve de trocar as delícias e dissabores, pelo serviço militar. Apesar de ter sido um grande poeta, foi também um grande patriota e um grande soldado. Defendeu Portugal tanto nas guerras em África, como na Ásia. Por volta de 1547-48, partiu para Ceuta, onde perdeu o olho direito, quando lutava a favor de D. João III. Entretanto houve a Grande Desordem. A última coisa que Luís Vaz de Camões fez foi a publicação d’Os Lusíadas em 1572. O Rei D. Sebastião concede uma tensa (um pagamento) de 15000 reis anuais com esse dinheiro Camões vai se mantendo até à morte.
Camões conseguiu salvar o manuscrito d'Os Lusíadas quando naufragou na foz do rio Mekong. Luís Vaz de Camões faleceu no dia 10 de Junho de 1580 em Lisboa, na miséria.