sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Exposição de Postais de Natal na Biblioteca!

Nesta época natalícia, a biblioteca escolar desafiou a criatividade dos alunos e convidou-os a realizar postais de Natal originais. Aqui está o resultado desta iniciativa!




terça-feira, 29 de novembro de 2011

1º Concurso Literário Infanto Juvenil do Colégio Bernardette Romeira

Se és aluno do 1º, 2º ou 3º ciclo e gostas de escrever, então este é concurso ideal para ti!

Tema do Concurso

"Um conto de Natal".

Prazo de entrega dos textos

14 de dezembro, na biblioteca escolar.

Prémios

Serão premiados os três melhores trabalhos de cada escalão etário.

Para mais informações consulta o regulamento do concurso ou dirigi-te à biblioteca.


quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Feira do Livro na Biblioteca Escolar do Colégio Bernardette Romeira. De 28 de novembro a 2 de dezembro.

À semelhança do ano letivo anterior o Colégio irá receber mais uma Feira do Livro em parceria com a Soregra Editores. Mas este ano temos uma novidade: a Feira vai ser bilingue! Isto porque, para além da Soregra Editores, contaremos com a participação da editora inglesa Usborne.
A realização de feiras do livro na biblioteca são atividades de grande importância no estímulo do gosto pela leitura junto de toda a comunidade educativa. Este ano pretendemos também apostar no desenvolvimento das competências em língua inglesa, complementando assim o trabalho desenvolvido pelos professores dessa disciplina.
Sendo uma feira aberta a toda a comunidade educativa e com o aproximar da quadra natalícia, estamos certos de que irá encontrar aqui uma variedade de livros que irão ao encontro de diversas faixas etárias e interesses, com preços bastante convidativos.

A Feira terá lugar na Biblioteca Escolar do Colégio entre os dias 28 de novembro e 2 de dezembro e estará aberta de acordo com o horário da biblioteca (na parte da manhã das 10h00 às 12h00 e à tarde das 13h00 às 19h00).


Contamos com a sua visita!












quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Autor do mês de novembro - Fernando Pessoa


Biografia

Fernando Pessoa, um dos expoentes máximos do modernismo no século XX, considerava-se a si mesmo um «nacionalista místico».
Nasceu Fernando António Nogueira Pessoa em Lisboa, no dia 13 de junho de 1888.
A infância é passada em Lisboa, alegremente, até à morte do pai em 1893 e do irmão Jorge no ano seguinte. Estes acontecimentos, em conjunto com o facto de sua mãe ter conhecido o cônsul de Portugal em Durban, levam-no a viajar para a África do Sul, onde vive entre 1896 e 1905. A vivência nesse país da Commonwealth teve uma influência decisiva a nível cultural e intelectual, pondo-o em contacto com os grandes autores de língua inglesa.
Regressou a Portugal com 17 anos para frequentar o curso de Letras mas, graças ao seu grande conhecimento da língua inglesa, acabou a trabalhar para diversos escritórios em Lisboa em assuntos de correspondência comercial.
Ficou sobretudo conhecido como grande prosador do modernismo (ou futurismo) em Portugal. Para se expressar, utilizou o seu próprio nome e também alguns heterónimos (personalidades criadas pelo autor, com qualidades e tendências próprias). Entre estes ficaram famosos três: Alberto Caeiro, Álvaro de Campos e Ricardo Reis.
As suas participações literárias espalharam-se por inúmeras publicações, das quais se destacam Athena, Presença, Orpheu, Centauro, Portugal Futurista, Contemporânea, Exílio, A Águia, Gládio. Estas colaborações eram tanto em prosa como em verso.
Teve uma paixão confessa - Ophélia Queirós - com a qual manteve uma relação muitas das vezes distante, se bem que intensa. Mas foi talvez Ophélia a única a conhecer-lhe o lado menos introspetivo e melancólico.
É difícil descrever em poucas linhas o seu percurso intelectual. Este consiste, sobretudo no relato de uma grande viagem de descoberta, à procura de algo divino mas sempre desconhecido. Essa procura foi feita por Pessoa com recurso a todas as armas metafísicas, religiosas, racionalistas, mas sem ter chegado a uma conclusão definitiva, exclamando que todos os caminhos são verdadeiros e que o que é preciso é navegar (no mundo das ideias).
Os últimos anos são vividos em angústia. Foi um profeta que esperava a realização da sua profecia, mas que morreu sem ver sequer o princípio da sua realização.
Fernando Pessoa morre a 30 de novembro de 1935, de uma grave crise hepática provocada por anos de consumo de álcool. Foi a enterrar no Cemitério dos Prazeres mas, em 1988, por ocasião do centenário do seu nascimento, os seus restos mortais foram transladados para o Mosteiro dos Jerónimos, em Belém. Em vida apenas publicou um livro em Português: o poema épico Mensagem, deixando uma vasta obra que ainda hoje não foi completamente analisada e publicada.

Autopsicografia
  
O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

E os que leem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas de roda
Gira a entreter a razão,
Esse comboio de corda
que se chama o coração.
       

História do Dia - "Duas Mulas"

Duas Mulas

Iam duas mulas por uma estrada. Lado a lado trotavam.
Uma, que trazia nos alforges batatas e legumes para o mercado, talvez por ser mais nova, adiantou-se à outra mula.
Logo a mais velha a chamou à pedra:
- Então que é lá isso, sua serigaita. Já não há respeito pela nobreza? Com que direito me ultrapassa a mim, que valho um milhão de vezes mais do que você?
A mula nova, que não estava para despiques, susteve o passo e deixou-a passar à frente. Mas, por curiosidade, perguntou-lhe:
- Porque é que vossemecê vale assim tanto mais do que eu?
- Porque trago uma fortuna que não faz ideia. Pratas lavradas, castiçais doirados, loiças da Índia e um saco de libras em ouro. Sou uma mula rica, ao passo que você, sua pindérica, é apenas uma mula com dois sacos de batatas e umas hortaliças.
E lá seguiu à frente, majestosa.
A mula nova deixou-a ir. Companheiras de viagem daquele estilo dispensava.
Apartadas pela diferença de riquezas, também, na estrada, a distância entre uma e outra era cada vez maior.
Perderam-se de vista.
Voltaram a encontrar-se no mercado. A mula velha, descarregada do seu tesouro, metia dó. Andavam as moscas à volta dela. Estava à venda, mas ninguém a queria.
- Que lhe sucedeu para vir parar a esta miséria? - perguntou a mula nova, aliviada do peso das batatas.
- Uma grande desgraça - contou a mula velha. - Depois de nos separarmos, fui assaltada por uns bandidos, que me levaram tudo o que trazia comigo e ainda me moeram de pancada. Andei aos tombos, por aí, até vir ter a esta feira de animais para abate.
Vá lá que o dono da mula nova se tentou pela pechincha que pediam pela mula velha, e comprou-a.
- Vamos ser colegas - disse a mula nova. - Agora o que temos é de levar para a quinta o que o nosso dono trocou pelas batatas.
- E qual é a qualidade do carregamento? - perguntou a mula velha, que já conhecera pesos de muito preço e importância.
- Não é carga pesada. Isso é que me interessa - respondeu a nova.
- Mas de que qualidade? - insistiu a mais velha.
- Estrume - respondeu a nova, muito mula, a mostrar as favolas, cheia de riso.
- Ah, estrume? - repetiu, desolada, a mais velha. - Nunca imaginei. Mas calhou assim. É a vida.
Isto dito a meio de um fundo suspiro. Pois. É a vida?


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terça-feira, 22 de novembro de 2011

História do Dia - "Uma História do Teotónio"

Uma História do Teotónio


O maior aventureiro da nossa rua é o senhor Teotónio. Correu mundo e gosta que saibam.
- Não ficou nenhum cantinho por conhecer - costuma ele gabar-se, quando fazemos roda à sua volta.
- Esteve na Índia? - pergunta um de nós.
- Sete vezes - responde ele.
- E na China?
- Outras tantas - responde o Teotónio.
- Conhece o Japão?
- Como os meus dedos.
- Então conte-nos uma aventura sua no Japão - pedimos.
- Hoje não, que não tenho paciência - responde-nos o senhor Teotónio, a fingir que se levanta e que se vai embora.
Nós insistimos. Ele faz de conta que não quer contar e passamos assim que tempos, neste jogo. Até que levamos a nossa a melhor. Levamos sempre.
- Estou a recordar-me de um naufrágio por que passei, de uma vez que vinha do Japão - começa ele.
É uma história do Teotónio. Verdade ou mentira ele que responda.
Segundo o seu contar, vinha do Japão, como marujo, num navio mercante, quando se lembrou de que tinha prometido à madrinha um quimono. A senhora que fazia tanto gosto no roupão de seda bordada e ele que se esquecera da encomenda. Não podia voltar atrás o navio, mas podia ele.
Às escondidas, baixou um escaler e abandonou o barco.
Depois, remou, noite e dia, dia e noite, tudo por causa do quimono da madrinha.
Que dedicação de afilhado!
Mas levantou-se uma tempestade e o barquinho a remos, que ia a passar pelo meio de uns ilhéus, sacudido de um lado para o outro, foi embater nuns escolhos e desfez-se. Por pouco que não se desfez com ele o senhor Teotónio.
Muito abalado, conseguiu nadar até à praia de um dos ilhéus, onde, exausto, se deixou adormecer.
Acordou, tempos depois, com uma esquisita sensação de aperto. Uns enormes olhos fitavam-no e ele estava nas mãos de um gigante. O senhor Teotónio viera ter à ilha dos temíveis Carantões, uma ilha lendária que todos os marinheiros japoneses temem.
A carantonha que o segurava nos dedos era uma gigante ainda pequenina, uma menina gigante. Para ela, o senhor Teotónio equivalia a um boneco achado na praia.
Ele não podia dar parte fraca. Fez-se de borracha e exibiu um risinho rígido de boneco japonês. Nessa qualidade, passou a confraternizar com os outros brinquedos da menina carantonha.
Mas aquilo não era vida. Ser despido e vestido pela carantonha, embalado e lavado, pendurado de pernas para o ar e atirado ao chão, sem cerimónia, não se tolerava.
Eram humilhações demais para um aventureiro.
Decidiu fugir. Num barco de brinquedo, quase do tamanho do escaler em que naufragara, fez-se ao mar, à hora da sesta da sua tutora e carcereira. De bagagem, levava um quimono, surripiado à menina.
- Ó Teotónio, mas este quimono está-me enorme! - disse-lhe, tempo depois, a madrinha, que até era bastante avantajada de corpo. - Tu julgas que eu sou alguma gigante ou quê?
Não valia a pena explicar à madrinha os perigos e sacrifícios por que passara para lhe trazer aquele roupão de mangas larguíssimas. Talvez até ela o tomasse por mentiroso.
Nessa não caímos nós.


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História do Dia - "O Capuchinho e o Lobo"

O Capuchinho e o Lobo


Era um frade de capuz descido, a caminho do mosteiro, no cimo da serra.
A friagem do princípio da noite era de respeito. Vinha tocada pelo vento, que assobiava pelas frinchas dos rochedos e despenteava as copas dos pinheiros. O frade tremia.
Tremia de frio ou tremia de medo? Vai-se lá saber, mas o mais certo é que se juntassem nos mesmos sítios do corpo as duas tremuras. As pernas vacilavam-lhe. Os dentes tiniam-lhe uns de encontro aos outros, enquanto balbuciava uma prece incerta:
- Que Santa-ta-ta Bár-ba-ba-ra me-me livre dos lo-bos-bos-bos?
Nem de propósito. Salta-lhe um lobo ao caminho, com os olhos em fogo e uma dentadura de escárnio e malvadez, que metia impressão.
- Vais para casa da avozinha? - perguntou-lhe o lobo, que sabia da história antiga o suficiente.
Tinham-lhe contado em pequeno, com muitos pormenores que ele já esquecera.
Do essencial ainda se lembrava. Como estava escuro, o lobo não distinguia a cor do capuz nem isso lhe importava muito.
- Levas merenda para a viagem? - insistiu o lobo, perante o silêncio do frade encapuçado.
O caminho era ruim, com lombas e pedras soltas, mas o frade não se queixou e seguiu por ele adiante, em passo cada vez mais estugado, como se a conversa não fosse com ele. O lobo à cola.
- Ó capuchinho, então tu não falas? - soprava-lhe o lobo às canelas. - O que é que tu levas de comer para a avozinha? Um frango assado? Presunto? Compota? Biscoitos?
O lobo, a dizer estas coisas, babava-se que era uma vergonha. E o frade, moita!
- A avozinha, à tua espera, já deve estar em cuidado. Queres que eu vá, à frente, avisá-la de que não tardas? Depois esperamos por ti? Onde é que ela mora?
Nesta oportunidade, o frade podia safar-se. Dizendo onde morava a avozinha, mandava o lobo descer até um posto da guarda, nos baixos da serra. Os guardas florestais, de espingarda pronta, dariam conta do resto da história?
Mas o frade não queria nem sabia mentir.
E continuou calado, as forças todas concentradas na corrida e no fio do caminho, que nunca mais chegava ao fim.
- Ó capuchinho, que pressa a tua! Quando tu chegares a casa da avó, ainda ela se zanga contigo, se te vê toda suada, nesse desalinho de menina tontelas?
Neste ponto, o frade, não aguentando mais o bafo do lobo, gritou, num desespero:
- Não tenho avó e para onde eu vou é para o convento, se Deus quiser.
A voz do frade era forte e grossa, apesar da fraqueza das pernas e dos saltos do coração. Pasmou o lobo:
- Vossa senhoria desculpe, mas eu não sabia que o capuchinho tinha professado. Ou então enganei-me eu na história?
E o lobo meteu o rabo entre as pernas e deixou o frade em paz. Já no meio do mato, apagado o fogo dos olhos, meneando a cabeça, o lobo matutava:
- Quando a gente é pequena acredita em tudo o que nos contam? Nunca supus que o capuchinho tivesse voz de trovão. Até se me puseram os pelos em pé do susto que apanhei.
E o lobo pôs-se a alisar os pelos do dorso com a língua salivosa. Se a noite desse para vê-lo, dir-se-ia um cachorrinho desapontado. Metia pena.
Por sua vez, o frade, que, derreado, já se aproximava dos muros do convento, ainda teve fôlego para lançar às estrelas a sua possante voz, num cântico de louvor a Santa Bárbara, madrinha dos caminhantes, amansadora da braveza das feras.


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quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Cantinho da Biblioteca do mês de novembro dedicado à Biodiversidade Marinha.

História do Dia - "Bolacha Maria"

Bolacha Maria

 
Era uma vez uma bolacha Maria que disse que Maria, só Maria, não chegava.
Queria ser, ao menos, Maria Emília. Bolacha Dona Maria Emília, com todo o respeito.
As outras companheiras do pacote fizeram-lhe a vontade. Mas, quando uma bolacha Maria começa com exigências, oh! oh! Nunca mais pára?
- Pensando melhor, não dispenso os apelidos. Quero passar a ser tratada por Dona Maria Emília de Melo e Sousa Trigo de Reboredo Farinha.
Um nome tão comprido e retorcido não é fácil de decorar. Algumas das simplesmente Maria chamavam-na de Maria de Trigo Melo e Sousa não sei quê Farinha. Outras, de Maria Reboredo Farinha de Melo Trigo de Sousa Emília. E as mais esquecidas, apenas de Maria Farinha de Trigo, o que a punha fula.
- Distingam-me. Separem-me. Marquem a diferença. Eu sou uma bolacha especial. Uma bolacha Dona Maria Emília de Melo e Sousa Trigo de Reboredo Farinha.
- Tá bem - diziam as outras, que não eram de despiques.
Alguém abriu o pacote e começou a provar daquelas bolachas torradinhas e saborosas. Elas não se importavam. Sabiam para o que estavam destinadas e davam-se por contentes. Proporcionar um pouco de prazer ao paladar era a vocação delas.
A Maria que não ia com a outras, por sinal a última do pacote, não seguiu o caminho das demais. Ficou a aguardar novo acesso de apetite de quem, daquela vez, já estava de barriga cheia. Ficou sozinha. Ficou esquecida.
Amoleceu.
Quando, passado dias, deram por ela disseram:
- Esta bolacha já está mole. Não presta.
E chamaram:
- Bobi, anda cá. Toma.
O Bobi, de rabinho a abanar, muito saracoteante e salivante, veio, tomou e foi assim que a excelentíssima bolacha Dona Maria Emília de Melo e Sousa Trigo de Reboredo Farinha acabou na boca do cão.
Esta história é pequenina e sabe a pouco? Pois é. O Bobi também achou o mesmo.


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quarta-feira, 16 de novembro de 2011

História do Dia - "Cuidado com o Poço"

Cuidado com o Poço

 
Uma raposa, que vinha a fugir dos caçadores, enfiou para dentro de um poço, à falta de melhor esconderijo.
Lá no fundo, lamentou-se:
- Safei-me de morrer de uma chumbada, mas daqui de dentro é que eu não me salvo.
Era um poço seco, um poço abandonado. Recordando o antigo uso, tinha na borda um balde, preso a uma corda de rodízio. A outra ponta da corda estava caída no fundo, aos pés da raposa.
- Se eu conseguisse trepar pela corda acima, estava garantida - pensou a raposa.
Tentou, mas só conseguiu soltar o balde que balançou, na outra extremidade, como um sino sem badalo.
Uma ovelha, despegada de um rebanho que pastava num monte perto, estranhou o barulho e o balde a baloiçar, na boca do poço, e foi espreitar. A raposa viu-lhe a cabeça felpuda e gritou-lhe:
- Senhora ovelha, ainda bem que a encontro. Quero partilhar consigo esta novidade. Encontrei aqui em baixo uma mina de água, que é a uma maravilha. Um milagre! Mal a bebemos, ficamos com asas. Tão leves, tão leves que nem passarinhos?
A parva da ovelha entusiasmou-se:
- Com asas? Quem me dera! Como posso provar dessa água milagrosa?
- Meta-se no balde, que está aí em cima, e venha ter comigo, antes que a água acabe.
A ovelha não pensou duas vezes. Atirou-se para dentro do balde, que desceu com o peso, puxando para cima a outra ponta da corda, onde vinha agarrada a raposa.
- Eu bem dizia que este poço dava asas - dizia a espertalhona, ao pôr os pés em chão seguro.
E fugiu daquela armadilha do destino, a rir-se da malvadez.
A ovelha baliu desesperada e humilhada com a sua tontice. Dar ouvidos a uma raposa, acreditar em água ou o que fosse que oferece asas a quem quer beber, que disparate, que estupidez!
Por tanta imbecilidade junta, mais merecia ela lá ficar no fundo do poço do que a raposa. A ovelha chorou, mas já não lhe valia de nada.
Vá que vá que ainda lhe valeu?
O pastor, quando foi a contar as ovelhas e deu pela falta de uma, foi procurá-la.
Chamado pelas lamúrias da ovelha, chegou-se à beira do poço e salvou-a a tempo.
Vá que vá que a história acabou em bem?
Mas nem sempre acabam assim?

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terça-feira, 15 de novembro de 2011

História do Dia - "O Senhor Frutuoso Inventor"

O Senhor Frutuoso Inventor


O senhor Frutuoso é um grande inventor. Entre máquinas e maquinetas da sua particular invenção tem em casa para cima de uma centena.
Juntem-lhe as máquinas e maquinetas que outros inventores, de diversos pontos do mundo, lhe enviam e imaginem como será a casa do senhor Frutuoso, com tantos maquinismos a trabalhar.
Uma barulheira que só ouvindo. Tlim, tcham, pung? Poc, poc, poc? Bié, bié, bié? Bong! Tuque, taque, tique, tuque? Tuque, taque, tique, tuque? A história podia ser toda assim, embora talvez fosse um pouco cansativa.
- Tudo preciosidades - costuma dizer-me o senhor Frutuoso, quando vou visitá-lo e ele me encaminha pelos salões e corredores da sua casa, cheios de vitrines e de prateleiras, carregadas de inventos.
- Repare-me neste prodígio que me mandaram pelo correio - diz-me o senhor Frutuoso, acabando de desembrulhar diante de mim uma enorme encomenda.
- É um bonito relógio de parede - digo eu.
O senhor Frutuoso indigna-se:
- Isto não é num relógio de parede. É um invento fantástico de um ilustre correspondente meu do Brasil, o doutor Janísio Bisnaga Filho, não sei se conhece?
Por sinal, não conheço, mas isso pouco importa.
- Explicou-me o meu amigo Janísio por carta que este relógio tem um mostrador e três ponteiros. Um para as horas, outro para os minutos e o terceiro sabe para quê?
- Naturalmente para os segundos.
- Nada disso. O terceiro é para anunciar o tempo - proclama, entusiasmado, o senhor Frutuoso.
Não se percebe onde está o espanto, porque, tanto quanto sei, todos os relógios anunciam o tempo.
- Não é esse tempo, mas o tempo que vai fazer - impacienta-se o sábio.
- Ah! Anuncia as horas com antecedência? - estranho eu.
- Refiro-me ao tempo atmosférico, o tempo meteorológico, entendeu? Este relógio, além de dar horas, informa-nos, com vinte e quatro horas de antecedência, sobre o tempo que vamos ter, no dia seguinte.
Finalmente, o senhor Frutuoso conseguia fazer-me entender. De facto, o relógio, tal como os barómetros, tinha à roda do mostrador várias indicações: chuva, aguaceiros, tempo variável, bom tempo, etc. Não tinha ?etc.", já se vê, mas percebe-se?
O senhor Frutuoso deu-lhe corda e o relógio começou a trabalhar num tic-tac certinho e cumpridor. Reparei que o terceiro ponteiro apontou para as palavras ?Tempo quente". Ainda bem.
No dia seguinte, fiado no invento do Doutor Jasmínio Bisnaga Filho, saí de casa à fresca. Pois apanhei uma chuvada e uma friagem que não queiram saber. ?Afinal o relógio também se engana", pensei e nunca mais quis saber do caso.
Só há dias, quando tive de telefonar ao senhor Frutuoso por outros assuntos, é que voltei a lembrar-me do caprichoso relógio de parede. Do lado de lá, o senhor Frutuoso atendeu-me, com a voz fanhosa das grandes constipações.
- Estou assim por causa do relógio - explicou. - Tenho-me guiado pelo conselhos dele e não calcula as chuvadas e resfriamentos que suportei, nestes últimos dias. Passa-se qualquer coisa no funcionamento do aparelho, que não entendo. Atchim!
O sábio a espirrar e uma ideia a trespassar-me a cabeça de lado a lado. Botei-a logo cá para fora:
- Se o relógio veio do Brasil, não estará ele regulado para outro clima diferente do nosso? - perguntei.
Fez-se silêncio do outro lado do fio. Depois, o senhor Frutuoso voltou à fala:
- Tem razão, tem toda a razão. O relógio diz que está bom tempo e tempo quente, mas é no Brasil, onde foi montado. Seja como for é um grande invento. Atchim!
E o senhor Frutuoso desligou apressadamente o telefone, para poder assoar-se mais à vontade.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Estante Temática do mês de novembro - Biodiversidade Marinha

Este mês, como forma de comemorar o Dia Mundial do Mar, a Biblioteca Escolar dedica a sua Estante Temática à Biodiversidade Marinha!







História do Dia - "O Pau de Fósforo"

O Pau de Fósforo



Era uma vez um fósforo, um pau de fósforo - vejam bem que com tão pouco se começa uma história.
O pau de fósforo perdera a cabeça num fogaréu - história antiga, dolorosa, que nem convém lembrar - e estava ali, que nem para palito servia.
- Não presto para nada - suspirava, muito desconsoladamente, o pau de fósforo.
- Quem tal disse! - exclamou um senhor muito optimista, muito optimista, muito optimista. - Você pode ser aproveitado, como obra de engenharia, para ajudar um carreiro de formigas a vencer um riacho? de formigas, já se vê.
- Que disparate! - contrapôs outro senhor, mas muito pessimista, muito pessimista, muito pessimista. - Passa um pé por perto e salta a ponte de pau e afogam-se as formigas? Uma desgraça!
O pau de fósforo, de cabeça perdida, não sabia por qual se guiar. Pelo optimista? Pelo pessimista? Valia a pena oferecer-se à aventura? Ai, quanto custa decidir!
Neste entretanto, passou a rasar por ele uma andorinha. Zás, em voo de reconhecimento? Passou outra vez, em sentido contrário e levou-o no bico. Estava a construir o ninho num beiral de telhado e aquele pauzinho vinha mesmo a calhar, entrelaçado com outros paus e ramos.
Tudo se aproveita, até um pau de fósforo. Que ninguém diga que não serve para nada.


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sexta-feira, 11 de novembro de 2011

História do Dia - "A Última Castanha"

A Última Castanha

 
Era uma castanha que estava como as outras, pendurada de um castanheiro.
Chegando o tempo, as castanhas amadurecem e caem por si. Só que esta não caiu.
- Estou bem onde estou e não quero aventuras - dizia.
Uma a uma, as outras dos ramos iam caindo e rebolando pelo chão, protegidas pelo cobertor ouriçado que as cobria até ao nariz. Nariz é modo de dizer?
Vinham os garotos, estalavam-lhe os ouriços e metiam-nos nos bolsos. A tímida e teimosa castanha desta história a tudo assistia do seu mirante e não gostava.
- A mim não me levam eles - dizia.
Era a única que sobrava em todo o castanheiro. As folhas a fugirem da árvore, sopradas pelo vento, e ela a afincar-se ao ramo, com unhas e dentes. Unhas e dentes é um modo de dizer?
Sozinha, desabrigada, não estava feliz. Nem infeliz. Sentia até uma ponta de orgulho por ter conseguido resistir tanto tempo. Um sabor de vitória que a ouriçou toda.
- Ai que vou cair - gritou.
Mas, no último instante, conseguiu agarrar-se. Ainda não era daquela.
Entardecia. Um grupo de gente acendera uma fogueira, junto ao castanheiro. Os garotos, que tinham andado às castanhas, e os pais dos garotos e os amigos dos garotos riam e cantavam. Estavam a preparar o magusto da noite de São Martinho.
A castanha solitária, no alto do castanheiro nu, estranhou a vizinhança. E intrigou-se. Que estaria a passar-se.
Debruçou-se do ramo mais e mais. A madeira a arder estalava, mesmo por baixo da castanha, a última. O fumo entontecia-a. E se fosse ver de perto o que se passava?
Foi. Caiu. E a história acaba aqui. Paciência. É o destino das castanhas. Destino é um modo de dizer?

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quinta-feira, 10 de novembro de 2011

História do Dia - "Não se chama Marcílio"

Não se chama Marcílio


Marcílio não era o nome dele. Marcílio era um nome falso, um nome escondido, porque o jovem herói da nossa história não podia revelar a ninguém a sua verdadeira identidade.
- Hás-de recuperar o teu reino com este arco que aqui te dou - dissera-lhe o mago Olef.
- Agora há-de ser - respondera Marcílio.
E, impaciente, repuxou a corda do arco que estava solta. Parecia fácil. Não era.
- Falta-te a força - dissera-lhe o mago. - Tens de amaciar a corda à chuva do deserto.
- Mas no deserto chove tão pouco e tão de longe em longe - protestara Marcílio.
- Não tens outra alternativa - dissera-lhe o Olef.
O mago tinha sido o seu salvador. Recolheu-o, menino, quando o castelo e o reino do pequeno príncipe se submeteram aos conquistadores estrangeiros. Por prudência, dera ao órfão o nome de Marcílio e protegera-o e educara-o, em segredo.
Via-o, agora, jovem a espigar e a arder na vontade de reconquistar o que lhe pertencera. Mas, para que tudo resultasse, não podia haver precipitação.
- Se queres que chova no deserto, tens que chamar as nuvens - disse-lhe o mago.
- E como se faz para chamar as nuvens?
- Tens de cantar.
- Agora há-de ser. Cantarei.
O mago sorriu e abanou a cabeça, negativamente:
- A tua voz tem de engrossar. E para a tua voz engrossar, tens beber o sangue do dragão que guarda a montanha.
- Agora há-de ser. Matarei o dragão.
- Só o matarás com esse arco que eu te dei?
Marcílio desesperou-se. Assim nunca conseguiria. Mas, como era um moço decidido, não desistiu. Encaminhou-se para o deserto. Talvez chovesse, sem ter de forçar as nuvens?
Esperou um ano, dois anos, três anos. Três anos de seca. Ele bem repuxava a corda do arco, mas não havia meio? Ele bem ensaiava a voz num canto guerreiro, mas na voz cruzavam-se agudos e graves, à compita.
Até que choveu. Um aguaceiro de nuvens breves. Mas bastou para amolecer a corda. Marcílio convocou todo o seu ânimo e retesou a corda do arco. Depois, foi à procura do dragão.
Era um monstro terrível. Marcílio não o temeu. Quando se vence o medo, vence-se qualquer dragão. Foi o que aconteceu.
Depois de beber do sangue do dragão, Marcílio cantou, numa voz forte e grave.
A notícia da vitória do jovem espalhou-se e vieram nuvens e nuvens de gente aclamá-lo.
À frente do clamor do povo, Marcílio marchou para o palácio que lhe pertencera.
Lutou e venceu.
Na cerimónia da coroação do novo rei, que era um homem na força da vida, o mago Olaf chamou-o pela primeira vez pelo seu nome verdadeiro: Ivan.
No reino de Ivan, os mais velhos contam sempre esta história, convictos de que assim conseguem moderar a pressa e a impaciência dos mais novos.
- Há que confiar nos leves, vagarosos impulsos do tempo - aconselham os mais velhos, no remate da história.
Será que os novos, realmente, lhes dão ouvidos?

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quarta-feira, 9 de novembro de 2011

História do Dia - "A Rã Solitária"

A Rã Solitária

 
Era uma vez uma rã que vivia num charco. Vivia sozinha. O charco também era pequeno.
Sentia a falta de outras rãs, para lhe fazerem companhia e coaxarem ao despique nas noites de Lua cheia. Sentia que, se outras rãs vivessem com ela, podia nadar de bruços com mais folgança, velocidade, estilo? Sentia que os saltos que dava para dentro de água, à falta de espectadores, nem jeito nem graça tinham.
Enfim, a rã deste pequeno charco sentia-se muito só. Desamparada. Infeliz.
Perguntem, se fazem favor, porque é que a rã se não mudava para charco mais amplo e povoado?
Porque temia que tão perto não houvesse outro. Ora, como devem saber, as rãs detestam perder tempo a saltar em seco. A água faz-lhes falta. Sem ela, perdem o luzidio da pele e a força de vida. Não sabiam?
Um dia, começou a chover que nunca mais parava. Dia e noite. Noite e dia.
Os campos ficaram alagados. Os rios sobraram do leito. Pequenos charcos, afastados uns dos outros, juntaram-se num enorme lago.
Foi uma inundação terrível. Veio nos jornais e a televisão deu notícia. Casas de que só o telhado se via. Animais afogados. Gente a ser salva em barcaças por bombeiros. Uma desgraça.
Mas como esta história pertence à rã, esta história tem um fim feliz. A rã, passada a tempestade, encontrou companhia. Dezenas de rãs coaxam agora, em coro, glorificando a chuva, a abundância das águas, o abraço do lago imenso que as juntou.
Aqui entre nós e em segredo vos peço que nunca contem esta história a pessoas que tenham sofrido os efeitos trágicos de uma inundação. Não iam gostar.

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terça-feira, 8 de novembro de 2011

História do Dia - "O Alfaiate de Bagdad"

O Alfaiate de Bagdad


Lá para as terras de Bagdad, que um poderoso sultão governava, havia um alfaiate que tinha um filho tão ou mais hábil do que o pai nas artes de alfaiataria.
A bem dizer, o rapaz não era filho de alfaiate. Encontrara-o ele, bebé ainda, dentro de um cestinho, à sua porta, abandonado sabe-se lá por quem. Mas tanto fazia.
Recolhido e amimado, o menino crescera na casa acolhedora do velho alfaiate, sem nunca saber a sua verdadeira origem.
Quando o pai adoptivo morreu, o jovem prosseguiu o ofício que aprendera do seu protector. Ganhou fama profissional, tanta que de longes terras vinham encomendar-lhe fatos e túnicas dos mais finos tecidos.
Um dia, um escravo de sabre em punho veio buscá-lo para que fosse com ele a determinado sítio, para receber uma encomenda.
- Leva a tua melhor tesoura, porque a freguesia é exigente - recomendou-lhe o escravo.
Mas, para que o alfaiate não ficasse a saber o caminho nem localizasse o cliente, vendou-lhe os olhos com um lenço.
Levou-o assim ao harém privado do sultão, onde, depois de tirar-lhe a venda, o apresentou às favoritas do sultão. O rapaz ficou de olhos esbugalhados, com tanta beleza à sua volta. Não sabia onde estava, mas desconfiou.
As favoritas, de rosto velado, encomendaram-lhe um nunca mais acabar de vestidos. Estava ele a tirar as medidas, um bocado atordoado com a aventura, quando se abriu a porta. Era sultão.
- Que está aqui a fazer este desgraçado? - perguntou o sultão, furioso.
Não houve explicações que o satisfizessem. Nenhum homem senão ele podia frequentar aquelas salas do palácio. Quem perdesse a cabeça e arriscasse, perdia mesmo a cabeça, de verdade.
- Mas antes de cortarem a cabeça ao intruso, chicoteiem-no com cem vergastadas - ordenou o sultão.
Assim se dispunham a fazer quando o rapaz, tentando salvar a vida, arrancou o sabre das mãos do escravo que o trouxera e fez frente aos guardas. Tão hábil era ele a manejar a tesoura como o sabre. Um a um, derrubou os opositores. Chegando à beira do sultão, que estava desarmado, dispunha-se a trespassá-lo. Outra solução não tinha. Ou matava ou era morto.
Nisto, uma das favoritas reparou, por um dos rasgões da camisa, estraçalhada na luta, que o rapaz tinha nas costas um singular sinal em forma de ananás.
- É o sinal da realeza - gritou ela. - Não mates o sultão que ele é teu pai.
Mas já o jovem alfaiate tinha acertado um profundo golpe no peito do sultão.
Suspendeu-se à beira de vibrar o segundo.
Foi-se ver e era verdade. Um adivinho predissera, no nascimento do príncipe, que aquele menino iria pôr em perigo a vida do pai. Por isso é que se tinham desembaraçado dele, em criança.
O velho sultão, a esvair-se em sangue, foi socorrido pelos médicos da corte. Salvaram-no. Safou-se, mas ficou muito fracalhote, daí em diante.
O alfaiate, agora príncipe, ocupou o seu lugar à frente do reino. Passou a governar com mais senso e justiça do que o pai. Nos intervalos da governação, talhava vestidos. No harém, as favoritas cosiam à linha. Aquilo já não parecia um palácio, mas uma fábrica de confecções. Chegaram a trabalhar para fora.

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segunda-feira, 7 de novembro de 2011

História do Dia - "Salta a Pulga"

Salta a Pulga


 
Vocês conhecem aquela cantilena: ?Salta a pulga da balança e vai ter até à França? Os cavalos a correr, as meninas a aprender? Qual será a mais bonita que se vai esconder?"
Claro que conhecem.
Pois quando eu era assim mais ou menos da vossa idade gostava muito de ir até ao gabinete de trabalho do meu pai, sobretudo quando ele lá não estava.
Era uma divisão espaçosa, com muitos livros nas estantes. Nela reinava o silêncio e uma certa solenidade. Eu não desgostava.
Sobre a secretária do escritório, toda de tampo de vidro, havia, entre outros objectos atraentes, uma pequena balança de pesar cartas e volumes, antes de irem para o correio.
Debaixo do vidro transparente da secretária, um belo mapa da Europa, por onde eu me punha a passear os olhos, imaginando viagens? França, por exemplo. ?Salta a pulga da balança e vai ter até à França?"
Apeteceu-me fazer uma experiência. Pedi emprestada uma pulga à minha cadela Balalaica, meti a pulga num frasquinho e, secretamente, fui ao escritório. Pus o frasco em cima do prato da tal balança. Sempre queria ver se, ao destapá-lo, e assim que dissesse as tais palavras mágicas, ?Salta a pulga da balança?", a pulguinha daria com o caminho da França, o do mapa, já se vê.
Nisto, entrou o pai:
- Que estás aí a fazer, garoto? - perguntou-me ele.
- Estava a pesar este frasco - respondi eu, destapando-o.
O meu pai era muito curioso, muito metediço?
- E o que tem dentro? - quis ele saber, quase a meter o nariz no frasco.
- Nada - respondi.
Não mentia. Realmente, o frasco já não tinha? O meu pai fez-me uma festa e disse, coçando a orelha:
- Agora o menino vai-se embora, porque estou cheio de pressa. Calcula que, por causa de uns negócios urgentes, tenho, hoje à tarde, de tomar o avião para Paris. Não estava nada a contar com esta viagem.
Nem a pulga? E foi assim que se concretizou o que a cantilena anunciava: saltou a pulga da balança e foi ter até à França?

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sexta-feira, 28 de outubro de 2011

História do Dia - "O Peso do Dever"

O Peso do Dever

 
Era uma vez um cavaleiro, desses que havia dantes, de lata por fora, fechados por dentro, e de comprida lança levantada, com uma bandeira na ponta, a flutuar ao vento? Estão a ver, não estão?
O cavalo que suportava este cavaleiro não tinha grande vocação para cavalarias altas.
?Se o meu dono dispensasse a armadura, até o caminho passava a ser mais macio."
Conversa de cavalo cansado?
Talvez o tivesse percebido o cavaleiro, porque à beira de um regato susteve a marcha do cavalicoque e apeou-se. Apetecia-lhe tomar um banho. Desfez-se da pesada armadura, enquanto o cavalo pastava, e foi procurar um sítio mais fundo, onde pudesse banhar-se a seu gosto.
?Quem me dera que a história se ficasse por aqui", suspirava o cavalo, aliviado.
Uns meliantes, salteadores de estrada, que por ali estavam escondidos, viram o cavaleiro afastar-se e acharam que era boa altura para agir. Cobiçaram a armadura e cobiçaram o cavalo. Este, adivinhando-lhes as intenções, fugiu-lhes a tempo. Que levassem a armadura! Era da maneira que o resto da jornada menos custaria. Carregar um cavaleiro, sem a casca-carapaça de ferro e lata, valia por um passeio.
De longe, o cavalo viu os ladrões alcançarem as peças da armadura para cima de um macho desgraçado. Teve um rebate. O dono tão desprevenido e ninguém que o avisasse. Só se ele, cavalo, tomado a brios? Mas para quê, se o assunto não era da sua conta? Ou seria? Afinal, talvez fosse?
O cavalo relinchou um alarme. Logo o cavaleiro, que deixara a espada na margem, se apercebeu do perigo. Agarrou no espadão e, mesmo nu e a pingar, saltou para o cavalo e fez frente aos salteadores, que fugiram, mais o macho, largando tudo, numa grande balbúrdia de lata amolgada.
Revestido de novo da sua vaidosa armadura, o cavaleiro, fincando os joelhos de ferro nos lados da montada, incitou-a a prosseguir caminho. Carregado ao peso do dever, o cavalo obedeceu.

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quinta-feira, 27 de outubro de 2011

História do Dia - "O Automóvel Cansado"

O Automóvel Cansado

Era um automóvel que trabalhava todos os dias.
Acordava ou acordavam-no de manhã cedo e lá ia ele com o dono para o trabalho.
Ainda se o dono trabalhasse o tempo todo num escritório, vá que vá. O automóvel, nesse caso, até podia descansar uns bons bocados, encostado ao passeio.
Mas o dono era dos irrequietos. Passava o dia de um lado para o outro, pára, logo arranca, depressa que se faz tarde, num corrupio que fazia aflição. Há empregos assim, muito fatigantes, tanto para as pessoas como para os carros.
E aos fins-de-semana? Aos fins-de-semana, o dono do automóvel levava a família a passear.
Em resumo, o carro nunca descansava.
Um dia, cansado de tanto correr, protestou.
- Este motor não anda bom - disse o dono.
Protestou mais.
- Este motor está a pedir uma grande revisão - disse o dono.
De protesto em protesto, o automóvel resolveu fazer finca-pé. Parou, de vez.
- Temos de chamar um reboque e mandá-lo para a oficina - disse o dono.
Disse mais coisas, mas nós não contamos? Pudera. A meio do passeio de domingo, acontecer uma destas, quem é que não perde a paciência?
Tão exasperado ficou o dono que resolveu trocar de carro. Apetecia-lhe um automóvel mais novo, mais potente, de um modelo mais moderno.
O automóvel desta história foi arrecadado num armazém de automóveis velhos.
- Daqui só para a sucata - disse-lhe uma carrinha muito desgastada pelos anos de serviço a um colégio.
Agora tinha tempo para descansar. Descansou.
Mas as prolongadas férias acabaram por pesar-lhe.
Às vezes, aparecia alguém com vontade de comprar um carro barato, ainda em bom estado? Os automóveis alinhados aguardavam a decisão, com ansiedade.
- Qual é o preço deste? - perguntou uma senhora ao vendedor.
- Tanto - respondeu o vendedor.
- Só dou tanto - disse a senhora.
O comprador encolheu os ombros, em sinal de concordância. O automóvel desta história ganhava um novo dono, aliás dona, aliás Dona Henriqueta.
- É só para dar de vez em quando uns passeios, visitar os filhos, os netos - explicou a senhora. - Nada de velocidades nem de grandes viagens. Este carrinho dá-me jeito.
A Dona Henriqueta já está reformada. O automóvel ainda não. Teve sorte ou melhor, ambos tiveram sorte, porque o automóvel ainda dá muito boa conta do recado.
Está ali para as curvas.

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quarta-feira, 26 de outubro de 2011

História do Dia - "Os Zepeninos e Nós"

Os Zepeninos e Nós

O planeta Zepeni, escondido, algures, numa curva do Universo imenso, à esquerda de quem sobe, é muito pequenino.
Nenhum astrónomo da Terra ainda deu com ele, mas existe. Não é invenção minha.
Os habitantes de Zepeni estão muito desenvolvidos. Deslocam-se pelo espaço a velocidades incalculáveis, numa espécie de discos voadores do tamanho de rolhas de cortiça, porque os zepeninos, a condizer com o planeta onde vivem, não são de grande estatura. Talvez do tamanho de joaninhas ou pouco mais ou menos.
Todos usam uns fatos luminosos, que lhes permitem explorar os sítios mais obscuros. Os zepeninos são muito empreendedores e viajados.
Uma vez, nas suas viagens de exploração pelo Universo, tocaram a Terra. Foi numa destas noites de Verão.
O disco voador em que eles vinham aterrou à beira de um laguinho de jardim.
Com alguma prudência, três zepeninos desembarcaram.
- Este planeta não deve ser habitado - calculou um deles, perante o silêncio da noite.
Outro dos zepeninos acrescentou:
- Estamos no litoral de um enorme mar, que passará a chamar-se Mar da Tranquilidade.
Era o laguinho do jardim, já se vê.
Uma rã perto deu-lhe para coaxar.
- Cuidado! Afinal este planeta tem monstros.
Os três zepeninos puseram-se na defensiva e avisaram a nave para estar alerta.
Atraídos pelo brilho dos fatos dos zepeninos, aproximaram-se mosquitos.
- Estamos a ser atacados por aves terríveis.
Uns pirilampos, intrigados com aqueles bichinhos alarmados, sobrevoaram-nos, num voo lento.
- Além de ter monstros, o planeta sempre é habitado. São parecidos connosco, mas não comunicam na mesma onda de pensamento.
Fosse como fosse, os zepeninos tentaram explicar aos pirilampos donde vinham, quem eram e o interesse exclusivamente científico das suas viagens pelo Universo.
Depois, porque ao coaxar da primeira rã outras rãs responderam, a barulheira tornou-se insuportável. Muito sensatamente, os três zepeninos resolveram regressar à nave.
- Descolar! - ordenou o comandante do disco voador.
E o disco voador do tamanho de uma rolha de cortiça subiu ao céu.
Lá dentro, os três zepeninos exploradores completavam o relatório de viagem:
?Visitámos um planeta muito primitivo. Os seus habitantes principais possuem algumas semelhanças connosco, deslocam-se pelo ar, mas estão cientificamente muito atrasados. Ainda têm de sofrer muitas mutações antes de nos chegarem aos calcanhares."
Até talvez, no fundo, os zepeninos tenham alguma razão.

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terça-feira, 25 de outubro de 2011

História do Dia - "Lágrimas de Crocodilo"

Lágrimas de Crocodilo


 
O crocodilo estava com uma grande dor de dentes. Quem lhe acudia?
Dentista, na selva não há. Podia procurá-lo na cidade mais próxima, mas quem lhe garantia que, depois, o deixavam voltar ao rio do seu pachorrento viver?
Os gemidos do crocodilo metiam dó.
Um passarito saltitante aproximou-se, mas não muito, e perguntou-lhe:
- O dente que dói é incisivo, canino ou molar?
O crocodilo não sabia.
- É cá para trás, na queixada - respondeu ele.
- Então é molar e deve estar furado - concluiu o esperto passarinho.
Muito se admirou o crocodilo com a ciência do passarinho. E, numa voz de sofrimento, perguntou-lhe se ele não se importava de tratá-lo.
O passarinho saltitou, hesitante. Outros passarinhos da família, que andavam por perto, avisaram-no:
- Vê lá no que te metes. O crocodilo pode não ser de confiança?
Mas o passarinho, que tinha bom coração, decidiu arriscar.
- Abre bem a boca - disse ele ao crocodilo.
Saltitando entre os dentes do crocodilo, como sobre um teclado de piano, o passarinho deu com o dente furado. Era, realmente, um dos últimos, já no escuro da boca enorme do crocodilo.
Com muita eficiência, o passarinho brocou, limpou e tapou o buraco do dente magoado. Só lhe faltava diploma para dentista a sério.
- Abre mais a boca, para eu sair a voar.
Mais o crocodilo a fechava?
Cá fora, os outros passarinhos piaram de susto.
- Tratei-te. Quero sair - exigiu o passarinho e a vozinha dele ecoou na boca cavernosa do crocodilo.
- Palita-me e limpa-me o resto da dentadura - pediu o crocodilo, entre dentes.
Caiu-lhe uma lágrima do olho esquerdo e outra, a seguir, do direito.
- Lágrimas de crocodilo - piaram os passarinhos em bando. - Velhaco. Patife. Hipócrita.
Mas, afinal, estas eram as lágrimas sinceras. O crocodilo sentia-se aliviado e agradecido.
Quando o passarinho, depois de ter feito uma limpeza geral aos dentes do crocodilo, voou para o meio dos outros, foi recebido como um herói.
E, daí em diante, todos os passarinhos saltitantes da beira-rio passaram a frequentar as queixadas dos crocodilos, à cata de restos de comida.
Ganham os crocodilos e ganham os passarinhos. Ao contrário do que consta, na selva também há harmonia.


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segunda-feira, 24 de outubro de 2011

História do Dia - "A Ferradura"

A Ferradura



Era uma vez uma velha ferradura.
Um senhor encontrou-a, levantou-a do chão e meteu-a no bolso do sobretudo.
- É para dar sorte - disse o senhor de si para si, muito convencido do que dizia.
Quando chegou a casa e a mulher foi pendurar o sobretudo no cabide é que foram elas.
- Tens o sobretudo tão pesado, homem - intrigou-se ela.
O senhor explicou o porquê:
- É para dar sorte.
- Se dá sorte, não sei - repontou a ela. - O que sei é que o peso da ferradura rompeu o bolso do sobretudo. Tirá-la de dentro do forro vai ser o cabo dos trabalhos.
O senhor, pacientemente, recuperou a ferradura do sobretudo, que foi para coser, e pendurou-a num prego atrás da porta.
- É para dar sorte.
No dia seguinte, ia ele a entrar em casa com a mulher, e a porta não se abriu. Porque seria, porque não seria? Tiveram de entrar em casa, a muito custo, por uma janela.
A ferradura tinha caído e entalara-se em cunha na porta, impedindo-a de abrir-se.
- Estou a ver que a ferradura só dá trabalhos - comentou a mulher.
O senhor não ligou e foi meter a ferradura numa gaveta:
- É para dar sorte.
Passado tempo, a mulher veio mostrar-lhe umas camisas todas manchadas:
- Puseste a maldita da ferradura na gaveta, encheu-se de ferrugem e deu cabo destas camisas. As melhores que tinhas?
Então o senhor aborreceu-se. Estava desiludido com a ferradura que só o metera em trabalhos.
- Vou desfazer-me do raio da ferradura. Para dar sorte? - e atirou-a pela janela.
Por pouca sorte, a ferradura foi bater no capot de um automóvel que ia a passar. Pior seria se tivesse acertado em alguma cabeça. Mesmo assim amolgou o automóvel.
Veio o automobilista pedir explicações:
- Quem é a besta que anda a atirar os sapatos para o meio da rua?
O senhor, que achara a ferradura, teve de pedir muitas desculpas e pagar uma indemnização, para que o caso ficasse por ali. E para que a história acabasse aqui.



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sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Artista do mês de outubro - Amália Rodrigues


Biografia


Amália da Piedade Rodrigues nasceu em Lisboa, em julho de 1920.

Em 1929 cantou pela primeira vez em público numa festa da Escola Primária, que frequentava, na Tapada da Ajuda.

Trabalhou desde muito cedo, como bordadeira, operária e vendedora de laranjas e flores.

Aos 15 anos desfilou na marcha de Alcântara e cantou pela primeira vez acompanhada à guitarra.

Com 19 anos estreou-se na casa de fados Retiro da Severa, e, nesse mesmo ano, torna-se a principal atração da revista "Ora vai tu", no Teatro Maria Vitória, a primeira de uma série de participações no teatro de revista.

Em 1943 atua pela primeira vez no estrangeiro, em Madrid.

Em 1944, viaja para o Brasil para atuar no Casino Copacabana. O sucesso foi tal que, em vez das seis semanas previstas, Amália atuou durante três meses.

O primeiro disco de Amália Rodrigues, "Perseguição / As penas", foi gravado no Brasil em outubro de 1945.

Em 1947, aos 27 anos de idade, Amália estreia-se no cinema, no filme "Capas Negras", que bateu todos os recordes de exibição

Amália cantou em diversos locais do mundo, como Paris, Londres, Nova Iorque, Hollywood, ex-União Soviética, Japão, entre outros. Em 1950 atuou nos espetáculos do Plano Marshall pela Europa.

Em 1951 grava pela primeira vez em Portugal para a editora Melodia e aos 38 anos de idade estreia-se na RTP, no papel principal da peça "O Céu da Minha Rua".

Apesar da longa e notável carreira, apenas em 1985, com 65 anos de idade, Amália dá o primeiro grande concerto a solo no Coliseu dos Recreios, em Lisboa.

Em 1995 grava o último álbum, "Pela Primeira Vez", e em 1997 é editado "Segredo", um álbum de gravações inéditas.

A 6 de outubro de 1999, Amália morre na sua casa em Lisboa, recebendo honras de Estado por parte do governo e do povo português.




Uma semana, um fado...


Gaivota

Música: Alain Oulman
Letra: Alexandre O'Neill


Se uma gaivota viesse
trazer-me o céu de Lisboa
no desenho que fizesse,
nesse céu onde o olhar
é uma asa que não voa,
esmorece e cai no mar.

Que perfeito coração
no meu peito bateria,
meu amor na tua mão,
nessa mão onde cabia
perfeito o meu coração.

Se um português marinheiro,
dos sete mares andarilho,
fosse quem sabe o primeiro
a contar-me o que inventasse,
se um olhar de novo brilho
no meu olhar se enlaçasse.

Que perfeito coração
no meu peito bateria,
meu amor na tua mão,
nessa mão onde cabia
perfeito o meu coração.

Se ao dizer adeus à vida
as aves todas do céu,
me dessem na despedida
o teu olhar derradeiro,
esse olhar que era só teu,
amor que foste o primeiro.

Que perfeito coração
no meu peito morreria,
meu amor na tua mão,
nessa mão onde perfeito
bateu o meu coração.


História do Dia - "As Árvores Querem Mandar"

As Árvores Querem Mandar



No reino das árvores, as pessoas mandam muito. Dizem até algumas árvores que as pessoas mandam demais. Pois se, para que as árvores cresçam, há que escorá-las, para que elas se desenvolvam, há que podá-las, para que elas ganhem força, há que regá-las, o que é que resta às árvores, o que é que lhes cabe fazerem sozinhas?
- Fazemos os frutos - dizem as árvores mais experientes. - As pessoas ainda não conseguem fazer peras, maçãs, laranjas, romãs, cerejas, ginjas, ameixas, sem nós.
- Mas, depois, as pessoas tiram-nos o que fizemos - dizia um limoeiro novo.
- E para que é que tu precisas dos limões, meu tolo? - replicava uma macieira com muitos anos de vida.
- Para enfeitar - respondia o limoeiro.
Aconteceu que, naquele ano, por altura da apanha, o reino das árvores não foi visitado por ninguém.
O dono do pomar estaria doente ou teria ido para fora, talvez desinteressado das árvores a que, noutros anos, dera toda a atenção.
Os frutos por colher pendiam dos ramos. Uns secaram. Outros caíram no chão, apodrecidos. Uma lástima.
Ainda se aquele pomar ficasse perto da estrada que leva à escola, talvez houvesse quem se tentasse e fizesse a colheita por sua conta? Mas, como ficava num sítio isolado e pouco acessível, ninguém deu pelo pomar ao abandono.
Vieram os pássaros. Vieram as lagartas. Vieram os insectos. Foi uma razia.
Depois, o terreno do pomar não teve quem o lavrasse. Cresceram as silvas e as ervas daninhas. Muitas árvores ganharam moléstia. Deram, quando deram, uns frutos murchos e raquíticos. Sem préstimo.
Quando, tempos depois, o pomar abandonado foi visitado por pessoas, metia dó.
O pequeno limoeiro, que, entretanto, crescera, olhava em volta e só via árvores secas.
- Uma ruína - diziam as pessoas. - Salvou-se o limoeiro, porque é árvore resistente, mas mesmo esse precisa de tratamento.
Acompanhado e tratado arribou. É, agora, um belo e perfumado limoeiro, que não se importa nada, mesmo nada, de dar os seus limões às pessoas que lhos pedem.


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quinta-feira, 20 de outubro de 2011

História do Dia - "A Vida"

A Vida


Era uma vez um belo cabelo levado pelo vento. Loiro. Vinha uma corrente de ar e soprava-o para um lado. Vinha outra corrente de ar e soprava-o para o outro. E o cabelo rodopiava, solto à luz do Sol, que com qualquer coisa se maravilha. Até um singelo grão de pó, tocado pelo Sol, fica como se fosse de prata?
Cabelo de anjo seria? Cabelo de fada? Cabelo de menina que pela primeira vez se penteia?
- Esta história tem um cabelo - disse alguém, fazendo uma careta, como se dissesse ?Esta sopa tem um cabelo" e a pusesse de lado.
Pois tem. E depois? Um cabelo não merece história?
Então, continuemos.
O cabelo encontrou-se no ar com uma pena, uma pequeníssima pena, tão leve como ele. De pavão? De pintassilgo? De canário? Tanto faz. Há muito tempo que sabia voar sozinha.
Cabelo e pena são agora dois. Junta-se-lhes um fiapo de algodão, tão sem destino como eles. Já são três. E a história complica-se.
Para complicá-la mais, veio ter com eles um fio de seda, sabe-se lá donde? Talvez de uma bordadeira que sacudiu a saia. Ou de uma fita a enfeitar cartas, que o tempo esqueceu?
São coisas sem nada, sem peso, sem destino, mas com muita história por contar.
Uma semente, depois, agarra-se à pena, ao cabelo, ao fiapo, ao fio de seda, e todos juntos dançam a moda que o vento quer.
Ah, mas a semente é pesada e a dança termina cedo. Cai, arrastando consigo na queda as asas a que se juntara.
Logo a seguir veio a chuva. A semente afunda-se, um niquinho só, mais o rolo de coisas sem futuro, que caíram com ela.
E pronto.
Para a próxima Primavera, daquela semente vai nascer uma erva, com uma flor ao cimo. Uma flor branca, como o fiapo de algodão, de pétalas frágeis como penas. Há-de vir o vento arrebatá-la da haste e levá-la com ele, como um fio de seda, um cabelo, eu sei lá que mais?
É a vida.

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quarta-feira, 19 de outubro de 2011

História do Dia - "A Teia de Aranha"



Eu tive de ir ao sótão procurar uns jornais antigos.
Como toda a gente sabe, o sótão é o lugar da casa que menos é limpo. Nunca se convida as visitas para ir ao sótão. Nunca se utiliza o sótão, cheio de baús, malas e caixotes, para dar festas de aniversário. Até talvez não fosse má ideia?
Eu a entrar no sótão, e a esbarrar com uma teia de aranha.
- Que falta de consideração - barafustou a aranha. - Uma teia que me deu tanto trabalho a fabricar!
- Foi sem querer. Desculpe - disse-lhe eu, um tanto encavacado.
- Quem estraga, arranja - gritou-me ela.
- Mas eu não sei tecer teias de aranha?
- Então, não tivesse rasgado. Quem estraga, arranja - insistiu ela.
Não tenho feito outra coisa. Pedi instruções a um tecelão, a uma bordadeira e a uma senhora que trabalha em malhas. Cada uma ensinou-me o que sabia e eu, mal ou bem, com uma agulha muito fininha e um fio de nylon ainda mais fino tenho passado os dias no sótão a cosipar a teia da dona aranha.
Com tantas responsabilidades na minha vida, tantas histórias para contar, e sucede-me a mim uma destas. Ainda se a aranha se calasse, mas não se cala:
- Quem estraga, arranja.
E sempre a desfazer do meu trabalho:
- Que falta de jeito. Que horror.
Mais dia, menos dia, também eu me enervo e mando a aranha contar histórias, em vez de mim. Sempre queria ver como é que dava conta do recado.


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terça-feira, 18 de outubro de 2011

Cantinho da Biblioteca do mês de outubro dedicado à Música!


Estante temática do mês de outubro - Música!

Este mês, como forma de comemorar o Dia Mundial da Música, a Biblioteca Escolar dedica a sua Estante Temática à Música!